CAPÍTULO XX A NOITE NUPCIAL DA... MARCELO CAETANO MONTEIRO
CAPÍTULO XX
A NOITE NUPCIAL DA CONSCIÊNCIA.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A noite não chegou como ameaça
veio como véu.
Camille não a esperou
apenas ficou
e o escuro reconheceu nela aquilo que sempre foi seu.
Não houve testemunhas
pois toda união verdadeira acontece fora do mundo
a consciência não pediu permissão à razão
nem explicou-se à memória
ela apenas desceu até onde não havia mais nome.
O porão tornou-se câmara nupcial
não de carne mas de sentido
ali a sombra não foi negada
foi acolhida
como quem recebe enfim o rosto que sustentou a vida inteira.
Camille não lutou contra si
pois já sabia
toda guerra interior é atraso
a maturidade começa quando o eu depõe as armas
e consente em ser inteiro”
“Nessa noite não houve promessa
porque prometer é ainda temer
houve entrega
e na entrega a consciência deixou de se fragmentar
o que era dor tornou-se forma
o que era medo tornou-se escuta.
A sombra não lhe pediu absolvição
pediu presença.
Camille respondeu ficando
e ao ficar selou a união
não com palavras
mas com silêncio suficiente para sustentar o real.
Desde então ela não busca luz
pois a luz que se busca cansa
ela carrega dentro de si o escuro reconciliado
e caminha
não para fora
mas a partir do centro.
E assim a noite nupcial não termina
pois tudo o que é verdadeiro continua
e aquele que ousa unir-se a si mesmo
ergue no íntimo um reino que não desmorona jamais.
