Na tua imprudência pervertida, eu me... Raimundo Santana
Na tua imprudência pervertida, eu me perco desbravador,
atravessando o teu limbo devasso, mulher do pecado.
Sou um flagelo de aparências ainda vivo,
mas por dentro já não respiro
morto no espírito, na alma, no corpo.
Em ti não há piedade,
nem compaixão que me resgate.
Deixaste-me errante, sem fronteiras,
sem direção,
sem herança além de ti.
Tu és o único benefício da minha ruína.
Em ti, a luxúria não dorme —
ela reina todos os dias.
E eu, prisioneiro do teu desejo,
sou escravo até na sombra dos meus pensamentos.
Não há outro universo,
não existe recomeço possível.
O que me resta é viver este cárcere,
aprisionado no teu covil,
onde o pecado se faz morada
e nem mesmo a santidade ousa me visitar.
Ainda assim, é em ti que permaneço,
mesmo condenado,
mesmo perdido,
mesmo amando aquilo que me destrói.
