O Banquete de Argila À noite, as... Felipe Mendonça

O Banquete de Argila


À noite, as xícaras são sentinelas brancas sobre a mesa,
Rígidas como o gesso do meu parto aquele erro,
Aquele nó indesejado que o sangue não soube desfazer.
Você parou no umbral,
o hall transformado em abismo,
Partindo antes mesmo de habitar o próprio rastro.


Agora você retorna,
espectro de louça e mágoa,
Bebe o chá amargo nas minhas xícaras
de ossos.
Enquanto o ódio flutua na superfície,
como nata.
E Papai aquele gigante de botas e fúria ruidosa
Me expulsa do mundo com um gesto de ferro,
Me trancando do lado de fora de mim mesmo.