Cordel das incertezas O estranho sempre... Reginalda Silva

Cordel das incertezas


O estranho sempre assusta
Pode dar frio e ansiedade
A mente busca controle
Planeja em intensidade
Mas há surpresa no viver
Remetendo-se ao crescer
Com o novo em liberdade.


A incerteza traz dois lados
Ruim e outro encantador
Mas são caminho abertos
Variando face e cor
Pode ser pedra no passo
Para diminuir o compasso
No meio do nada, uma flor.


Há quem só veja o negativo
Esquecendo a beleza da vida
Mas cada dor que aparece
Não resume a nossa lida
É pedaço de uma história
Com derrota e com glória
Não é estrada perdida.


Não se controla o vento
Nem o que vai acontecer
Acidentes, brigas, conquistas
Acontecem sem prever
E se a vida fosse tão certa
Como uma porta sempre aberta
Que graça teria viver?


Planejar é muito bom
Mas não é rédea do mundo
O incerto é possibilidade
Um caminho tão fecundo
Na moeda de dois lados
De decepções e agrados
Mas com tesouro lá no fundo.


Por isso, não fuja do incerto
Abrace-o com confiança
Há surpresas que nos elevam
Há futuro em esperança
No mistério do amanhã
A alegria pode ser irmã
Vindo com a força da mudança.