Falar sobre assuntos polêmicos dentro... Caio Santos
Falar sobre assuntos polêmicos dentro da igreja nunca é simples, mas é necessário. A igreja não cresce apenas com palavras que confortam, mas também com verdades que alinham, corrigem e amadurecem. Quando evitamos certos temas por medo de desagradar, deixamos de cumprir uma responsabilidade espiritual muito séria. O mestre, o pastor, aquele que ensina, carrega o peso de ajustar o que está fora do lugar, não por orgulho, mas por amor. A igreja precisa se parecer com Cristo — em caráter, em postura e em reverência — e isso exige correção, cuidado e fidelidade à Palavra. A Escritura nos lembra dessa responsabilidade quando diz: “Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte, com toda paciência e doutrina” (2Tm 4:2).
A Bíblia deixa claro que o culto deve ser marcado por ordem e decência, pois Deus não é Deus de confusão, mas de paz (1Co 14:33). O culto não é um espaço para descontrole emocional nem para manifestações que chamem mais atenção do que edifiquem. Tudo o que acontece nele deve conduzir à edificação do corpo e à exaltação de Cristo, pois “tudo deve ser feito com decência e ordem” (1Co 14:40). Por isso, é importante entender que falar em línguas sem interpretação quebra o princípio do culto, seja no altar ou sentado no banco da igreja. A Palavra é clara ao afirmar que, se não houver quem interprete, a pessoa deve ficar em silêncio, falando consigo mesma e com Deus (1Co 14:28). Não porque o dom seja errado, mas porque o culto é coletivo, e tudo o que acontece nele precisa edificar a todos.
Quando alguém fala em línguas publicamente sem interpretação, mesmo sem intenção, acaba quebrando a ordem, desviando o foco e gerando confusão. O apóstolo Paulo é direto ao dizer que prefere falar cinco palavras compreensíveis para instruir os outros do que dez mil palavras em outra língua (1Co 14:19). Isso mostra que Deus valoriza mais a edificação da igreja do que a manifestação individual. O culto não é um espaço de expressão pessoal, mas de comunhão, ensino e reverência, tanto para quem está à frente quanto para quem está sentado.
Tudo isso precisa ser feito em amor, porque amar não é permitir tudo, mas cuidar. Amar é ensinar, exortar e corrigir quando necessário. Jesus deixou claro: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos” (Jo 14:15), e também ensinou: “Um novo mandamento lhes dou: amem-se uns aos outros” (Jo 13:34). A igreja que ama não ignora o erro, mas também não corrige com dureza; ela orienta com graça, verdade e temor, buscando refletir Cristo em tudo o que faz. Corrigir é amar, ensinar é cuidar, e cuidar é conduzir o povo de Deus à verdade que liberta.
