DO LIVRO: MIGALHAS DA GRANDE MESA.... Marcelo Caetano Monteiro

DO LIVRO: MIGALHAS DA GRANDE MESA.
_CAPITULO VII
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

O INFERNO QUE O ORGULHO CONSTRÓI DENTRO DA ALMA.

O homem teme o inferno porque raramente percebe que já aprendeu a fabricá-lo dentro de si mesmo.
Desde os tempos antigos, multidões foram educadas pelo medo. Criaram-se imagens de fogo eterno, caldeiras ferventes, condenações sem fim e suplícios intermináveis. A consciência humana, ainda adoecida pelo orgulho e pela crueldade, projetou sobre Deus os próprios impulsos inferiores. O homem violento imaginou um Deus violento. O homem impiedoso sonhou com um céu indiferente ao sofrimento dos vencidos.
Entretanto, existe uma pergunta silenciosa que atravessa os séculos.
Se Deus é a perfeição absoluta do amor, como poderia encontrar prazer na dor eterna de seus filhos.
Em O Céu e o Inferno, percebe-se a desconstrução dessa arquitetura psicológica do terror. O inferno material não passa de símbolo imperfeito das perturbações morais do Espírito. O fogo verdadeiro não arde em cavernas subterrâneas. Queima na consciência culpada. Consome a alma endurecida. Corrói o coração que se afastou das leis divinas.
“Migalhas Da Grande Mesa” convida precisamente a essa compreensão íntima. O sofrimento espiritual não nasce de um castigo arbitrário imposto por Deus. Surge naturalmente quando a criatura afasta-se do amor, da humildade e da consciência reta.
O orgulho é um incendiário invisível.
Ele destrói famílias. Corrompe amizades. Silencia pedidos de perdão. Alimenta guerras emocionais. O orgulhoso prefere perder pessoas a perder a razão. Prefere carregar pedras no peito a curvar-se diante da verdade. Cria infernos particulares onde o ego senta-se num trono cercado de solidão.
Existem criaturas que sorriem socialmente enquanto carregam dentro de si verdadeiros abismos psicológicos. A vaidade ferida transforma-se em angústia constante. A inveja converte-se em tormento silencioso. O egoísmo produz desertos afetivos. O ressentimento transforma a memória em prisão.
E ainda assim muitos acreditam que inferno é apenas um lugar após a morte.
O Espiritismo oferece uma visão profundamente consoladora e ao mesmo tempo profundamente responsável. Deus não condena eternamente. A alma é que experimenta as consequências de suas próprias escolhas até desejar sinceramente renovar-se.
Toda dor moral possui finalidade educativa.
Toda aflição íntima pode transformar-se em despertar.
Toda queda pode converter-se em recomeço.
Mas existe algo que prolonga inutilmente o sofrimento humano.
A resistência do ego.
“Migalhas Da Grande Mesa” insiste numa realidade difícil de aceitar. Grande parte das dores emocionais nasce da incapacidade de o homem reconhecer a própria pequenez diante da vida. A criatura deseja ser admirada, exaltada, reconhecida, superior. Sofre quando não recebe aplausos. Revolta-se quando é contrariada. Enfraquece-se quando não ocupa o centro das atenções.
E assim fabrica para si regiões íntimas de tormento.
O orgulho é um inferno sofisticado porque quase sempre disfarça-se de dignidade.
Em A Gênese, ao abordar a diversidade dos mundos, surge uma das mais profundas lições de humildade espiritual. A Terra deixa de ser o centro absoluto da criação. O homem percebe-se microscópico diante da vastidão universal.
Todavia, o ensinamento não possui apenas valor astronômico.
Possui valor moral.
O ser humano sofre porque exagera a importância de si mesmo. Vive como se suas vaidades fossem eternas. Como se seus conflitos fossem o centro do universo. Como se suas opiniões fossem absolutas.
Enquanto isso, galáxias movimentam-se em silêncio sob leis perfeitas estabelecidas por Deus.
O cosmos inteiro ensina humildade.
Cada estrela humilha o orgulho humano sem dizer uma palavra.
Cada noite estrelada recorda ao homem que ele ainda é aprendiz.
“Migalhas Da Grande Mesa” conduz o leitor para essa lucidez íntima. A verdadeira evolução espiritual não está em parecer elevado diante das pessoas. Está em vencer silenciosamente as próprias inferioridades.
Há indivíduos que frequentam templos religiosos, mas continuam dominados pela agressividade moral. Decoram versículos, porém não sabem amar. Falam de caridade enquanto alimentam vaidade secreta. Demonstram falsa humildade apenas para serem admirados como virtuosos.
A humildade artificial é uma das máscaras preferidas do orgulho.
O Cristo jamais convidou multidões para o teatro das aparências. Seu chamado sempre foi interior.
O Evangelho é transformação da consciência.
É reforma íntima.
É descer ao subterrâneo da própria alma e reconhecer os monstros emocionais que ainda vivem escondidos no coração.
O homem espiritualmente maduro não é aquele que jamais erra. É aquele que possui coragem de enxergar-se sem fantasias.
Por isso o autoconhecimento dói.
Porque desmonta personagens.
Destrói ilusões narcísicas.
Arranca coroas imaginárias.
Mas somente depois dessa queda do ego nasce a paz verdadeira.
A Doutrina Espírita não veio alimentar medo. Veio devolver esperança. Não veio eternizar condenações. Veio revelar possibilidades de regeneração.
Ninguém está perdido para sempre.
Nenhuma lágrima é ignorada por Deus.
Nenhuma consciência permanecerá eternamente nas trevas.
O sofrimento passa.
O orgulho também passará.
Mas a alma permanecerá diante da própria verdade.
E talvez o inferno mais doloroso seja descobrir tarde demais que muitos dos incêndios da vida foram acesos pelas próprias mãos.
“Espiritismo. Doutrina consoladora e bendita. Felizes os que te conhecem e tiram proveito dos salutares ensinamentos dos Espíritos do Senhor.”
OBRAS CONSULTADAS.
O Céu e o Inferno.
A Gênese.
O Evangelho Segundo o Espiritismo.
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