Soam fios de ouro dourados que do céu... Monalisa Ogliari

Soam fios de ouro dourados que do céu são lançados por deus. A matéria prima é levada para que a natureza adorne seus bosques e lares. Lindas pérolas encontram melhor morada no acaso das alvoradas e se diz que o verde sagrado se faz em folhas detalhadamente delimitadas. Suas flores fazem morada amiúde se são no verão desejadas a curvar a íris que caminha estrada. Sacio a sede dos pormenores a escavar o tempo e seu jeito sorrateiro de passar e nos deixar no presente onde abundam todas as ausências, que já não se sente. Minha vida é terrena e muito mais se faz amena se escrevo longamente a gastar a pena das palavras corriqueiras. E volto sempre ao mesmo tema, que já saturou na boca que mastiga flor. E quem fala flor, fala dor. O corpo se faz anestesiado imune a qualquer passado e as asas abertas da noite descansam o trabalho das horas onerosas que comem o dia, sem melodia, poesia ou alegria. Como somos vários, cada um sente sua própria euforia. Emerjo do coração da cidade e vejo passageiros que partem e se elevam como um vento fortuito que menos brada ao esperar a madrugada. E se rói o osso de cada empreitada, pois há mãos que vendem seu trabalho e não é possivel outra alternativa a não ser andar altiva e muito bem esconder as cores de plástico que surtentam a fragilidade inequívoca dos pés que alcançam o chão e muito mais se faz comunhão se todos os passos são os mesmos e se voltam para cidades dormitórios, pois que a cidade é de poucos e o trânsito diário é um mal que se faz necessário. Mas esqueça, que hoje eu vejo a beleza do mundo e suas mil maravilhas que se escondem no horizonte. E posso rir com a luz do dia, se o caos de todas as cores fazem surgir posteridades insanas que iluminam a face irradiada e nada mais tarda. E me sinto como o suspiro do mar e suas muitas formas de se acalmar. Não tenho lágrimas do infinito momento das memórias, que perscrutam os atalhos e muitas frutas saborosas saceiam nossa vontade de certeza. Na mesa farta a história passa intacta. O calor me dá sua luz e toco as palavras suavemente, com dedos cautelosos e eis que meus sonhos são numerosos.