Para aquele que sofre O que me atrai em... Égila Souza

Para aquele que sofre

O que me atrai em você é a parte minha que vejo, parte essa já enterrada, pois não busco mais compreender o maior causador das minhas dores inexplicáveis. Eu já passei daí…

Me atraio, pois entendo sua dor, entendo seu vazio, sua introspecção. Sei que está no fundo do poço, e eu já me banhei em lama…

O fundo tão fundo em que está é raso, mas não consigo te provar.

Seus olhos perdidos, que me olham sem nenhum destino, já com pouco brilho, sem tanto entusiasmo com a existência, já estiveram em minha face.

E então me atraio pela sua dor, não porque quero senti-la, mas porque sei a cura!

Eu não suporto saber que sente as dores que senti. Eu me compadeço, pois te entendo tão profundamente, que seria capaz de entrar no fundo do poço contigo só para te mostrar a saída e, depois, banhar contigo, tirar toda a lama que a existência nos cobriu, pois somos sensíveis demais para esse mundo; pois o que nos fere não sara, primeiro inflama.

Da nossa cabeça, o purgatório em vida. Mas que tristeza é essa?

Inexplicável dor física, daquilo que não sabemos como explicar. Do coração apertado, como se alguém o segurasse e o impedisse de bater; da respiração que, muitas vezes, não faz nenhum sentido; e do vazio no peito e na mente que nos faz querer implodir em uma explosão melancólica, do grito mais desesperador que não conseguimos externar, do desespero apavorante que nos consome e some com nossa essência, com nossos sonhos, com a nossa vida.

Mas por que tudo precisa ser tão triste?

Sem respostas.
Sem esclarecimento algum, perseveramos na busca do propósito da nossa própria existência, pois precisamos de um motivo que justifique essa passagem na Terra, que, por agora, não tem sentido algum. E então colapsamos pela falta do porquê.

E, enquanto a mente não encontra nenhuma resposta, tampouco qualquer mísero sentido, vivemos tal qual um morto-vivo. Poderíamos estar mortos, mas continuamos agindo.