POR TRÁS DA NUVEM DE TESTEMUNHAS.... Marcelo Caetano Monteiro
POR TRÁS DA NUVEM DE TESTEMUNHAS.
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
Do Livro: Desejo De Sumir.
ASPECTOS DA OBSERVAÇÃO.
- Obsessão Simples
- Obsessão Fascinadora
- Obsessão Subijugadora
POR TRÁS DA NUVEM DE TESTEMUNHAS.
Helena prosseguia em sua luta invisível. Aquilo que antes se limitava ao seu íntimo agora repercutia no seio familiar com intensidade crescente. Seus pais, embora moralmente corretos, jamais haviam cultivado vigilância constante no campo do espírito. Havia bondade, mas faltava disciplina contínua da alma. E foi justamente nesse intervalo que o processo obsessivo encontrou terreno para enraizar-se não apenas nela, mas em todos que, por laços pretéritos, estavam comprometidos naquele drama silencioso.
Os benfeitores espirituais, contudo, jamais se ausentaram.
Ainda que invisíveis aos olhos carnais, operavam com precisão e paciência. O mentor espiritual de Helena, cuja presença ela ignorava conscientemente, velava por ela desde muito antes do agravamento do quadro. Inspirava pensamentos de serenidade, sugeria leituras edificantes, impulsionava encontros providenciais. Entretanto, como ensina a doutrina, o auxílio superior jamais violenta o livre arbítrio. Ele sugere, ampara, sustenta, mas não impõe.
Enquanto isso, os espíritos obsessores, ligados àquela família por vínculos do passado, intensificavam sua atuação. Não eram estranhos. Eram consciências entrelaçadas por antigas desarmonias. Aproximavam-se não apenas de Helena, mas de todos os familiares, insuflando ideias de desânimo, desconfiança e, sobretudo, afastamento dos recursos espirituais que poderiam conduzir à libertação.
Surgiram pensamentos recorrentes. "Isso não adianta." "Esse lugar não resolve nada." "Vocês estão sendo enganados." Eram sugestões sutis, porém insistentes, tentando romper o elo que começava a se formar entre a família e o amparo espiritual.
Foi então que, por inspiração superior, um dos familiares sugeriu a busca de auxílio em um centro espírita.
Ali, encontraram não promessas de solução imediata, mas algo muito mais profundo. Disciplina. Estudo. Prece. Trabalho no bem. E, sobretudo, o tratamento espiritual através do passe.
O passe, aplicado com seriedade e responsabilidade, passou a integrar a rotina de Helena e de seus familiares. Não como ritual mecânico, mas como transfusão de energias salutares, conforme ensinam as obras doutrinárias. A cada aplicação, havia alívio. Por vezes discreto, por vezes mais evidente. Contudo, nunca instantâneo. Nunca mágico.
Porque o centro espírita não opera sob a lógica da ilusão, mas sob a lei do esforço contínuo.
O tempo tornou-se elemento essencial. As semanas converteram-se em meses. A família perseverava. Frequentava as reuniões, participava das preces, buscava modificar hábitos. E, acima de tudo, mantinha a confiança inabalável de que Deus age com sabedoria, não com imposição.
Recordavam, com reverência, o ensinamento consolador atribuído a Chico Xavier, segundo o qual Deus utiliza o tempo como instrumento de misericórdia, jamais a força como mecanismo de transformação.
Enquanto isso, no plano invisível, algo extraordinário começava a ocorrer.
Os obsessores, ao acompanharem Helena e sua família até o ambiente do centro espírita, eram também expostos, ainda que involuntariamente, às vibrações elevadas daquele recinto. Ouviam as preces. Sentiam a atmosfera de paz. Presenciavam o esforço sincero daqueles que antes consideravam adversários.
Sem perceberem, começavam a ser tocados.
A resistência não desapareceu de imediato. Houve revolta, ironia, tentativas renovadas de afastamento. Contudo, a persistência da família, aliada à assistência dos benfeitores espirituais, foi gradualmente desarticulando os laços de ódio.
O perdão, ainda que silencioso, começou a agir como força balsamizante.
Helena, agora mais lúcida, passou a compreender que sua libertação não se dava isoladamente. Ao reformar-se, ao vigiar seus pensamentos, ao orar com sinceridade, ela contribuía também para a transformação daqueles que a perseguiam.
E assim, lentamente, os grilhões que prendiam não apenas um indivíduo, mas todo um grupo espiritual, começaram a dissolver-se.
Os antigos algozes, ao perceberem que não eram mais combatidos com hostilidade, mas acolhidos com compreensão e prece, começaram a ceder. Alguns se afastaram. Outros foram recolhidos pelos benfeitores. Outros, ainda, permaneceram por mais tempo, em processo de esclarecimento.
Mas todos, sem exceção, foram alcançados pela luz que emergia daquele lar transformado.
A casa que antes era campo de tensão tornou-se núcleo de oração. O ambiente, antes denso, agora irradiava serenidade. Não porque os problemas haviam cessado, mas porque a postura espiritual havia se elevado.
E Helena, outrora subjugada, agora caminhava com firmeza.
Não como alguém livre de provas, mas como alguém consciente de seus deveres.
O futuro, antes obscurecido, abria-se como campo de renovação.
E, como advertência permanente, ecoava em sua consciência o ensinamento de Jesus Cristo:
"Vigiai e orai."
"Vai e não peques mais, para que não te suceda algo pior." João 5:14.
Porque a verdadeira libertação não reside apenas em romper correntes, mas em não mais forjá-las.
E, sob a silenciosa presença da nuvem de testemunhas que acompanha cada passo da jornada humana, aquela família compreendeu, enfim, que a redenção não é um instante. É um caminho.
Um caminho que se constrói na vigilância, se sustenta na fé e se consagra na perseverança.
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