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O caos nunca chega batendo à porta; ele... Douglas Vasconcelos de lima

O caos nunca chega batendo à porta; ele entra pelos cantos, desalinha os quadros, derrama café sobre os planos e troca o nome das coisas dentro da gente. No começo, parece apenas ruína: gavetas abertas na alma, relógios mastigando pressa, pensamentos correndo descalços por corredores sem fim. Mas há uma inteligência secreta nesse desarranjo. Como a terra revolvida antes da semente, o caos fere a superfície para que algo mais vivo encontre passagem.
É nele que antigas versões de nós desmoronam feito casas cansadas, abrindo espaço para janelas que ainda nem sabíamos desejar. O coração, quando perde o mapa, aprende a ouvir estrelas invisíveis. E a dor, essa costureira impaciente, rasga primeiro para depois unir com linhas mais fundas.
Talvez criar seja isso: suportar a desordem sem fugir, permitir que o incompleto respire, aceitar que nem toda beleza nasce limpa. Há flores que só entendem o próprio perfume depois da tempestade. Há pessoas também. O caos não é o oposto da criação; é seu ventre escuro, quente e profundamente humano, onde tudo se quebra para finalmente começar de novo, em silêncio.