Os Frequentadores Assíduos da... Alessandro Teodoro

Os Frequentadores Assíduos da Agridoce Escola da Solitude dificilmente se contentam com meia companhia.
Há algo que a solidão ensina, e não é apenas o silêncio — é a escuta.
Quem se demora nesse espaço aprende a reconhecer o próprio ruído interno, a distinguir carência de presença e distração de encontro.
E, depois disso, já não dá para aceitar qualquer preenchimento como se fosse conexão.
A solitude, quando atravessada com coragem e disciplina, deixa de ser ausência e se torna critério.
Ela afina o olhar.
Mostra que companhia não é sinônimo de proximidade, nem conversa é garantia de vínculo.
E, sobretudo, revela que estar com alguém pela metade cobra um preço inteiro.
Por isso, quem já se formou — ainda que provisoriamente — nessa escola agridoce, passa a estranhar o raso.
Não por arrogância, mas por memória.
Memória de quando estar só era muito mais honesto do que estar mal acompanhado.
Memória de quando o vazio, ao menos, não fingia ser plenitude.
Meia companhia cansa porque exige que a gente finja completude onde só há fragmento.
E quem já fez as pazes com a própria inteireza, mesmo imperfeita, começa a preferir o desconforto da ausência à ilusão da presença incompleta.
No fundo, não se trata de rejeitar o outro — mas de recusar o que não chega inteiro.
Porque, depois de aprender a estar consigo e gostar disso, qualquer companhia que não soma, diminui.
