đ¶Os sons que me escapamđ¶... Judith
đ¶Os sons que me escapamđ¶
Particularmente, amo a mĂșsica.
Seja aquela batida alegre que fazemos com os dedos contra a mesa quando estamos alegres;
Seja aquele som estranho que sai apĂłs rirmos demais de uma piada boba;
Seja o ritmo suave em que as lagrimas caem, misturando a melancolia com algo prĂłximo ao amor, e ditam o formato de suas bochechas.
Seja, atĂ© mesmo, a mĂșsica favorita de um amigo distante que ecoa no radio apĂłs tanto tempo, recordando o passado.
Os sons residem comigo, carregam uma parte de mim que ninguém mais tem e flutuam pelo mundo, como se fossem apenas meros barulhos- e não como o amontoado caricato dos meus sentimentos mais profundos. Uma orquestra mal organizada de tudo que sinto e deixo de sentir, tudo que bagunço e arrumo, de tudo que hå- e também falta.
A minha mĂșsica ecoa por paredes rĂgidas demais, mas que com sua intensidade faça com que o soar mais suave penetre nas vigas mais pesadas; edificando o lar instĂĄvel da mente barulhenta que apenas busca reciprocidade, musicalidade e significado. Perdidos nos ruĂdos abstratos que viajam, mesmo sem minha permissĂŁo e saber, ao redor de cada esquina perturbada.
Ainda assim, os sons continuam.
NĂŁo pedem para ser entendidos, nem traduzidos â
apenas acontecem, como se soubessem o caminho de volta para fora de mim.
Ăs vezes, penso que eles nĂŁo querem ser guardados.
Que nasceram com essa vontade estranha de partir,
de se perder no mundo e tocar alguém por acidente.
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