Ele chegou bravo, arisco, Facão na... Raimundo Santana

Ele chegou bravo, arisco,
Facão na mão, doido pra brigar
Chutando mesa, riscando o chão,
No cabaré ninguém quis encarar.

Olhar de fogo, peito inflado,
Procurando quem fosse homem pra peitar
Mas de repente veio o silêncio,
E um grito doído cortou o ar.

Puxou o revólver, mão tremendo,
Gritou sem nem se controlar:
“Eu vou fazer justiça agora,
Quem mexeu com ela vai pagar!”

No canto escuro, um bêbado riu,
Sem medo nenhum de apanhar:
“Vai buscar mais bala, parceiro…
Que hoje tu vai precisar!”

“Porque aqui dentro, nesse cabaré,
Ninguém ficou de fora não…
Se tu ama essa mulher,
Prepare o teu coração…”

O bravo parou… ficou calado,
O mundo dele começou a cair
A mão soltou o revólver devagar,
E os olhos começaram a se abrir.

“Eu não acredito… isso é mentira…”
A voz falhou na hora de falar
“Até tu, capenga desgraçado…
Também foi lá se aproveitar?”

O cabaré virou um espelho,
Refletindo a dor de um homem só
E o bravo que entrou feito tempestade,
Saiu menor que um grão de pó.

Hoje dizem lá na esquina,
Que nunca mais ele foi o tal
O homem que chegou valente…
Ficou quieto no cabaré, no final