Dias de chuva Chovia… Abrigo na... L. C. Barreira
Dias de chuva
Chovia…
Abrigo na memória
uma janela entreaberta,
o latido das gotas caídas,
seduzidas por letras
cantaroladas nas pontas dos dedos.
Chovia...
Nesses dias pardos
que ainda trago na boca...
Abri uma gaveta
de infância —
e não havia nada,
nada que me fizesse lembrar
a faceta de transgressor.
Chovia...
Desejos esses,
habitados em ímpetos silêncios,
de vaga mundos —
sem sair do regaço da minha mãe.
Chovia...
Vertiam-se aqueles beijos
em dia de branco chumbo,
dados com amor e paixão,
como a auga escorrida,
ecoando melodias
no meu coração
chovia, mãe
chovia
chovia
chovia
