O amor é um dedo que desenha o contorno... PoesiaSam

O amor é um dedo que desenha
o contorno do teu ombro descalço,
é o sol que se esconde na tua nuca
antes de se perder no abraço.


O resto são cartas sem remetente,
palavras que o vento leva embora,
promessas de gelo, derretidas
no calor da tua boca agora.


Há quem fale de amor como de números,
como se coubesse em fórmulas exatas,
mas o amor é o silêncio que habita
entre duas pálpebras fechadas.


O que vem sem pele, sem cheiro,
sem o tremor de um fio de cabelo,
é só um eco de outros amores,
um fantasma vestido de anelo.


Eu não quero o amor que se escreve,
que se diz, que se guarda em gavetas,
quero o que arde sem explicação,
o que nasce da tua carne inquieta.


Porque o frio até parece ternura,
mas é só a sombra do que importa:
o amor vive onde os corpos se encontram,
e o resto é história mal contada.