Jutid desperta num espaço onde... Judith

Jutid desperta
num espaço onde memórias são paredes
e vozes são ecos que se perdem antes de tocar.


O chão pulsa, respira,
o pé esquerdo formiga,
o peito ameaça implodir.
E diante dela,
a figura incompleta
ri a metade de um riso que conheceu
mas nunca teve o direito de possuir.


“Você ainda me carrega… ou só não sabe me deixar ir?”


O sarcasmo emerge primeiro,
a defesa automática que sempre falha,
mas a voz engasga, hesita,
e sai em gotas embargadas
como chuva que não se atreve a afogar o lago de lama.


O fragmento de si mesma, parado diante de si,
não ri, não foge.
A memória repete-se,
o ciclo de perda e silêncio se repete,
até que as palavras finalmente rompem
o casulo de auto sabotagem.


Não são perfeitas.
Não são limpas.
Não precisam ser.


Mas existem.
E nesse existir, a saudade ainda dói,
mas não prende mais.
O peso no peito se desloca,
e um eco de verdade permanece.


“Você não precisava dizer certo…
Só precisava dizer.”


O ar muda.
O amargo perde força.
E Jutid percebe que, finalmente,
o silêncio não a define mais.