⁠Os que alugam a própria cabeça e... Alessandro Teodoro

⁠Os que alugam a própria cabeça e continuam acreditando que pensam, são locatários intransigentes. Habituaram-se tanto ao conforto das ideias prontas que já não... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠Os que alugam a própria cabeça e continuam acreditando que pensam, são locatários intransigentes.


Habituaram-se tanto ao conforto das ideias prontas que já não percebem quando a chave da própria consciência mudou de mãos.


Pagam, todos os dias, o aluguel da convicção fácil: repetem palavras que não nasceram em si, defendem certezas que nunca examinaram e travam batalhas que não compreenderam.


Há uma estranha obstinação nisso.


Não é apenas ignorância — é apego.


Porque admitir que a própria cabeça foi sublocada a slogans, narrativas ou paixões coletivas exige um gesto raro: desalojar-se das próprias certezas.


E poucos suportam o incômodo de reformar o interior da própria mente.


Pensar de verdade é uma atividade tão árdua quanto cara.


Cobra silêncio, dúvida, solidão e, sobretudo, coragem para contrariar a mobília confortável das ideias fabricadas.


É mais fácil manter o contrato vigente com quem pensa por nós do que enfrentar o trabalho de habitar a própria consciência.


Por isso, os locatários costumam ser intransigentes: defendem o imóvel como se fosse propriedade.


Aderem gratuitamente à Guerra Palavrosa: gritam, atacam, desqualificam — tudo para não correr o risco de descobrir que nunca foram donos daquilo que juravam pensar.


No fim, a tragédia não está apenas em alugar a cabeça vazia.


Está em viver nela como se fosse casa própria, sem jamais suspeitar que o contrato sempre esteve noutras mãos.