"Na esquina do vai e vem" No... Sezar Kosta

"Na esquina do vai e vem"


No trânsito do coração,
sou farol vermelho, paro demais —
você é seta verde, dispara pra frente,


toda pressa, sem olhar pra trás.
Eu, calmaria de domingo à tarde,
você, café quente na madrugada fria,
sou samba lento, respiração profunda,
você, batida rápida, quase poesia.


Corremos no mesmo asfalto,
mas em calçadas distintas,
procurando esperança
na velocidade da rotina.
Pense aí: e se a gente parasse?


Não a caça frenética do outro,
mas a dança mansa do acaso,
o convite silencioso do tempo parado.
Na pausa do elevador,
no banco da praça,


vai que a alma gêmea não é um flash,
mas a sombra que se estica e encaixa.
Porque opostos são um par de tênis,
um improviso meio torto,
é ver o outro tropeçar e sorrir:


“Te espero, só desacelera um pouco…”
No jogo urbano da pressa,
o melhor passo é sentir o ritmo,
não correr atrás, mas confiar:
a alma gêmea tá na esquina…


— só esperando a gente baixar a guarda.