Despeço-me da roupa como quem abandona... Joni Baltar
Despeço-me da roupa
como quem abandona o dia
e encontro-te na sombra macia do quarto.
Os teus olhos percorrem-me devagar,
com a saliva tranquila de quem sabe esperar. Sinto o teu toque subir pela minha pele como um fogo lento que acorda cada nervo.
A tua boca aproxima-se do meu pescoço, quente, demorada —e o ar entre nós torna-se
mais pesado, carregado de desejo.
A minha boca perde-se
nos teus famintos seios
descobre os caminhos que o corpo guarda para noites em que a razão adormece.
E quando finalmente me puxas para ti, pele contra pele, respiração contra respiração, o mundo encolhe até caber entre os nossos corpos.
Ali ficamos, presos um ao outro,
num ritmo antigo e secreto,
onde cada suspiro diz
aquilo que as palavras
nunca ousariam dizer.
