Pode ser que daqui há 1 ano olhemos... Martinha S. Dias

Pode ser que daqui há 1 ano olhemos esse poema por outra perspectiva.


Sol alto, céu aberto,
azul tão limpo que parece recém-lavado pelo vento.
As nuvens passam preguiçosas,
como se estivessem apenas visitando o dia.


Na areia clara, quente de luz,
uma mulher ergue o rosto
como quem conversa em silêncio com o horizonte.


O chapéu de palha desenha círculos de sombra,
protege — mas não esconde —
a tranquilidade que mora no seu gesto.
As mãos seguram a aba
como quem segura o próprio instante.


Óculos escuros guardam o mistério do olhar,
mas o rosto revela serenidade,
uma pausa rara
entre o barulho do mundo e o som do mar.


O biquíni branco reflete o sol
como espuma que decidiu virar pele.
O vento brinca com os fios do cabelo,
e o tempo, por um momento,
parece esquecer de passar.


Lá atrás, no alto da colina,
uma igreja observa tudo em silêncio —
antiga, paciente,
como se conhecesse histórias de outras marés
e de outros verões.


O mar se move devagar,
respirando ondas na beira da areia,
enquanto pequenas figuras caminham ao longe,
distantes, quase parte da paisagem.


Mas ali, naquele ponto exato de luz,
existe um instante inteiro:


uma mulher,
o vento,
o sal no ar,
e a certeza simples
de que o mundo às vezes
se resume
a estar viva
sob um céu azul. 🌊☀️


Autoral: Martinha S. Dias