Entre Vinho e Mar Começou com um... Evayne Raulino

Entre Vinho e Mar

Começou com um encontro,
um jantar de olhares demorados
e taças de vinho
que refletiam o brilho da expectativa.


A música nos chamou.
No tango,
nossos corpos aprenderam
a linguagem do silêncio:
peito contra peito,
respiração misturada,
passos que se reconheciam
como se já se soubessem de cor.


A noite nos levou até o mar.
Tirei meus saltos,
e a areia fria recebeu nossos pés descalços.
Caminhamos devagar,
de mãos dadas,
rindo como dois cúmplices
que descobriram um segredo.


O vento brincava com meus cabelos,
e eu sentia seu olhar
percorrendo cada gesto meu
com uma ternura inquieta.


Voltamos para o hotel
com o sal do mar ainda na pele
e um desejo tranquilo
crescendo entre nós.


No seu quarto,
a madrugada se abriu
em abraços demorados
e promessas murmuradas entre beijos.


Amamos a noite inteira —
como se o tempo tivesse parado
só para ouvir
nossos corpos conversando.


Depois, no silêncio suave da madrugada,
eu te observei.
O teu sorriso…
aquele sorriso de quem ama
e encontra paz
só por me ter ao lado.


O teu cheiro ainda me envolve,
quente, familiar.


E aquela camisa azul-bebê
sobre a tua pele
parecia feita de céu,
iluminando você
como se a noite inteira
tivesse sido desenhada
apenas para nos encontrar.