Hoje, ao amanhecer, os passarinhos... David Batista Cândido

Hoje, ao amanhecer, os passarinhos deixaram as copas das árvores e voaram como em qualquer outro dia, leves, confiantes, donos do céu.


Entre o fim da manhã e o início da tarde, algumas árvores do condomínio foram cortadas. Troncos ao chão, galhos silenciados, sombras desfeitas.


No cair da tarde, já na beira da noite, eu os vi outra vez. Voavam em círculos, inquietos, como se procurassem no vazio aquilo que, horas antes, era abrigo. As árvores eram suas casas, seus ninhos, talvez o berço de futuros filhotinhos.


É espantoso como tantas coisas podem mudar em poucas horas.


E eu fico aqui, pensando nos passarinhos — e na delicadeza frágil de tudo o que chamamos de lar.