Eu estive lá, na guerra e... Para que?... Francisco Pimentel

Eu estive lá, na guerra e...
Para que?
Para quem? por quem lutamos e morreriamos lutando se, não estaríamos nem viveríamos, para sermos parte daquilo que, protegemos com tanto amor...
Matar pessoas que nem ao menos conhecemos em nome de que?
Qual o sentido da guerra se é que existe diga-me, derramar sangue de desconhecidos, sofrer por uma causa que não conhecemos direito e nem sabemos os reais motivos e intenções.


A guerra é o lugar mais sem sentido para se estar, primeiro porque deixamos tudo para trás, deixamos quem amamos para está lá, seguimos dispostos a morrer e deixar essa existência, para ter ou proteger ou manter aquilo que iremos deixar para outros, se vamos morrer, que seja pelo menos ao lado de quem amamos, quem nos conhece e merece nosso sacrifício.


Eu não deixaria tudo para trás, sabendo que o sentido de fato é quem eu sou, não medalhas de honra no peito, dado por quem pensa o que eu deveria ser ou fazer.


É demais pensar em tamanha ignorância a qual nos obrigam a nos submetermos, como pensar na vida, sem pensar em si mesmo, ou como amar o próximo sem amar sua própria existência.


Viver não é difícil, duro é ter que morrer sendo forçado a cumprir uma missão que você não escolheu.


A alegria existe, ela é apenas um momento passageiro e, as vezes vago na lembrança e, quando chega, desarma os costumes e seus padrões, com a simplicidade ela quebra o jugo e retira as algemas do medo e da dor. Por um momento que seja, a felicidade nos encontra no meio do caminho, solitários, contando os passos em uma vida cheia de desafios diários.


Pensamos no que poderia ser e no que não fomos por medo ou padrões que nos ensinaram e ali, diante da morte a certeza de que se tombar não haverá outra chance de ter outro ainda que por pequeno que seja, momento de felicidade, a que preço eu paro a pensar, o que realmente somos ou fomos forçados a ser.


Quem foi ferido por dentro, não teme ser machucado por fora...
Quem se preocupa com o que somos?
Qual pessoa vai perguntar sobre nossa dor ou dizer que entende o que estamos passando, muitas vezes é apenas a intenção em fazer algo, porque como faria algo por mim quem nunca viveu ou esteve onde eu estive?




O que nos muda é o que decidimos, mediante o conhecimento que obtemos na prática e ninguém pode nos tirar a honra de termos sido feridos na batalha da vida muitas vezes sem o direito de escolher viver ou morrer ou apenas ser quem gostaríamos. Nos forçamos, nos forçam a pensar no que, no fundo, não queremos e, nos treinam a sermos e vivermos como não gostaríamos, o fato é que, consciente ou não, fomos moldados por um padrão que nunca desejamos.


Quebrar conceitos formados em um legado deixado, não é fácil e, pior ainda, será viver por eles e morrer por eles.


Alguém estará fazendo novamente, o que estávamos fazendo, não se iluda, a vida vai passar, o tempo é apenas uma metáfora a qual aprendemos servir de bom grado, iludidos pela correria do dia a dia, embrutecidos pela ausência da dúvida e obstinados a continuar sem questionar.


Valeu a pena?
Essa pergunta estará soando aos nossos ouvidos, alguns segundos antes de fecharmos os olhos e partirmos dessa existência, a qual, para muitos será um alívio e para outros uma saudade ou uma dor a qual não poderá mais sentir.


Eu morreria agora mesmo, se soubesse que não poderia mais escrever, pois do meu sono mais profundo me chamam às letras...da noite mais prazerosa me acorda para me trazer palavras as quais eu nunca tinha conhecido.