Caminhei por estradas longas, cruzei... Valdir Enéas Mororó Junior

Caminhei por estradas longas, cruzei fronteiras e olhei nos olhos de desconhecidos, sempre com a mesma bússola nas mãos: o desejo de encontrar o que meus pais tinham. Aquele amor que não é feito de vidro, mas de rocha; que aguenta a tempestade e floresce no domingo de manhã.
Às vezes, confesso, o silêncio da casa parece falar mais alto do que eu gostaria. A solidão tentou se sentar à mesa, quis ser visita constante, mas ela não sabe que meu coração é território ocupado pela esperança. Eu não tenho pressa de qualquer jeito, mas tenho urgência de verdade.
Eu não desisto do sonho.
Não abro mão da mesa cheia, do barulho das crianças correndo pelo corredor, da cumplicidade de um olhar que diz tudo sem precisar de uma única palavra. Se a vida é bonita, é porque ela nos permite projetar no amanhã o que ainda não tocamos hoje.
E, enquanto você não chega, eu sigo cultivando esse espaço. Pois sei que, quando finalmente nos encontrarmos, até a espera terá valido a pena. Basta um pedaço do seu beijo, um batimento do seu coração, para que toda essa jornada faça sentido. Eu escolhi esperar por você, porque sei que o que é real nunca chega tarde demais.