Bovary, nuances inevitáveis, o vinho... Jeremias Edson Cardoso

Bovary,
nuances inevitáveis,
o vinho enleva e me embala.
Deixei-me ir, deslizei no tempo,
sem saber o que pensava,
nem o que dizia exatamente.

Às vezes, penso que
nunca vivi tudo o que poderia.
Existem correntes invisíveis,
presas que não compreendo.

Ousaria perder a amizade—
esse grande tesouro?
Sonho de liberdade,
que pulsa em silêncio no peito.

Quem ama não escolhe,
não exclui, não espera.
Simples assim,
amor que se entrega,
amor que é.