O evangelho celestial do lírio e do... Gabriel Proença
O evangelho celestial do lírio e do ébano
Vive pela honra, princípios e glória, numa devoção que o tempo não consome.
Ergue o legado de uma história, santidade batiza o seu belo nome.
Seu corpo desenhado, traçado perfeito, é obra de mestre, escultura de fé.
Caminha entre nós, anjo bem feito, Mantendo o divino e eterno em pé.
É feito de sol e de aurora sagrada, um anjo tão doce que a alma reluz.
A mulher mais pura na terra encontrada, vestida de glória, envolta de luz.
Aos pés do seu trono o vento se cala, beleza distante que o toque não alcança.
Quem olha pro céu e tenta toca-la , apenas encontra o vazio da esperança.
Uma pequena montanha separa dois mundos, em duas janelas de estranho fulgor:
Um olho é o mar, um abismo profundo, O outro é a violeta de um reino em vigor.
É o contraste vibrante, imensurável e etéreo, entre o azul do infinito e a ametista real.
Inalcançável, e estreito, parece diamante, puro e brilhante parece cristal.
Sua pele tingida com nuvens, tão branca, um traço de seda, clamor deferido.
Com o ébano em véu, cabelos de criança, um brilho escuro e raro esculpido.
Seus lábios vermelhos, um fogo, um rubro, a boca é um rubi que em silêncio seduz.
Um traço de glória, um sagrado e profundo, seu beijo é a chama que ao céu me conduz.
É o eco de antigas missões e premissas, fruto de um reino que ao tempo cedeu.
Uma resposta viva a mil orações mal ouvidas, de uma terra caída que já padeceu.
Exala um cheiro suave e dourado, mistura de lírios, de glória e de mel.
Um traço de luz que perfuma o caminho, seus olhos, aos meus permanecem fiel.
De todos os rostos, ainda o mais belo, um olhar gelido que hipnotiza e acalma.
Mas na luz deste mundo, não se encontra nada preencha o vazio que ela deixa na alma.
