O Caminho da Água ​Sem alarde, sem... Tito Jorge

O Caminho da Água
​Sem alarde, sem voz, sem dura briga,
A água busca a senda, a trilha amiga.
Não quebra a rocha com furor ou pressa,
Mas beija a pedra, e mansa, atravessa.
​No silêncio da terra, ela se infiltra,
A paciência em cada gota filtra.
Não luta contra o monte ou o paredão,
Contorna a curva, muda a direção.
​De gole em gole, enche o vão profundo,
De pouco em pouco, ela refaz o mundo.
Onde era seco, a vida faz brotar,
Sem impor força, só a de continuar.
​Assim na vida, flui a lição serena:
A força bruta é gasta, se envenena.
Mas a constância, mansa e resoluta,
Encontra o mar, vencendo a disputa.
​Seja como a água, siga seu destino,
Com calma e graça, sábio e cristalino.
Pois no final, sem ter que combater,
É o fluxo suave que tem o poder.