O Brilho da Presunção No breu sem... Tito Jorge
O Brilho da Presunção
No breu sem cores, onde a vista se cala, O cego estende a mão, sem receio, pronto a confiar.
Sabe que a escuridão é lição que não fala, E no toque do guia, encontra o seu lugar.
Mas que força estranha aprisiona quem tudo enxerga, Na luz ofuscante, onde o ego se faz rei!
A soberba é areia onde a verdade se esvai, E o caminho é negado por uma falsa lei.
O cego, com o tato, reconhece o perigo, A alma, na sombra, aprende a se curvar.
Já quem vê no claro, abraça o seu próprio inimigo: A vaidade que cega e que impede de avançar. Não é a ausência da luz que o passo impede,
É o brilho da presunção que ao abismo conduz.
O coração altivo em sua ilusão se excede, Prefere a própria sombra à luz que a cruz lhe traz.
No fim, a verdade ecoa, simples e sombria: É mais fácil guiar um cego no escuro da noite, Do que uma pessoa que vê, mas na clara luz do dia, Escolheu ser dono da treva, e rejeitou o rumo e a sorte.
