Você pede pra eu te esperar. Carrego... Raimundo Santana

Você pede pra eu te esperar.
Carrego nos pés caminhos sem nome
e no peito uma bússola quebrada.
Como prometer permanência
se nem sei onde a alma vai ancorar?
Não há mãos estendidas no destino que sigo,
nem vozes chamando meu nome ao longe.
Lá, onde as portas permanecem abertas,
não é abrigo — é passagem,
é o vento ensinando que ficar também é uma forma de prisão.
Esperar seria mentir ao tempo,
fingir raízes onde só existe movimento.
Sou feito de partidas,
de silêncios que não pedem volta,
de passos que não sabem retorno.
Não me peça para te esperar.
Quem caminha sem chegada
não pode oferecer promessa,
apenas a verdade crua:
seguir é tudo o que me resta.