Como a vida é bela, Uma feira de... Emerson Pierre

Como a vida é bela,
Uma feira de vaidades,
Com vitrines de aparência,
Cheia de entretenimento barato.

O último prego do caixão,
Da existência intelectual,
Cérebros atrofiados,
Regresso, vestido de progresso.

Cedados pela dopamina,
Esperando a próxima notificação
Sem se importar com o peso do grilhão,
A forma mais degradante da escravidão.

Ó mundo belo, povo lindo,
mãe natureza, mãe perfeita,
destino sensato, destino exato,
bela humanidade, livre na cidade.

Como é bela, essa ilusão,
o homem, já não escolhe sua vida,
condenado a ser um ator, a representa-la,
decorando falas, cumprindo a missão.

Por conveniência ou medo,
fingi que o roteiro é seu,
tantos anos fingindo,
não sabe que mente

O homem, na sua rotina,
já não escolhe, perdeu a direção,
apenas atua na pantomima,
encenando vidas, esquecendo sua paixão.