No dia em que você me disse Adeus, eu... Julia Lopes

No dia em que você me disse Adeus, eu ia te mostrar, te contar que havia desvendado o mistério do seu olhar. Eu ia finalmente te contar aquela história, aquela mesma história que sempre te conto, aquela história que sempre faço mistério, só pra te irritar, só para vê o seu esforço em tentar me fazer contar, só para te vê mordendo os labios na tentativa de acalmar essa ansiedade em que em teu peito corre e em teus poros exala curiosidade, e só para te acalmar eu iria contar, o quanto gosto de te trazer pelos cabelos e te beijar, que gosto de me perder nesse teu olhar, iria te olhar bem no fundo dos olhos e lhe dizer o quão me sentia feliz por está, ali, bem ali no seu quarto, em sua cama, cama qual não queria saí, bem ali em seu quarto onde me perdia em seu cheiro que no ar estava, e em teu peito me envolvia e fazia morada. Bem ali em sua cama onde surgia as melhores e inimagináveis brincadeiras, bem ali onde me fazia enraizada. Eu ia te dizer tudo isso, mas antes que eu pudesse mostrar, dizer, você já não estava mais ali.
Tava tudo arrumado, tudo guardado tudo em seu lugar, e eu? Eu estava ali, bem ali, parada, rindo? Sim, eu estava rindo, porque eu lembrei, lembrei de você, de você em minha cama, em minha sala, em minha casa. A casa? Ahh a casa você deixou bem organizada, bem arrumada, tudo do seu jeito, mas aqui, bem aqui nesse peito, você deixou uma bagunça inenarrável, você tirou do lugar, você quebrou, você riscou, você nem sequer se importou, e eu tinha acabado de arrumar. E quando você me disse Adeus, eu desejei muito que eu nunca tivesse te conhecido, que eu nunca tivesse passado horas e horas conversando com você e que naquela mesma noite eu sentiria meu peito pulsar por você, e que no dia seguinte ficaria ansiosa para falar com você, e mais uma vez sentir meu coração pulsar, desejei que eu nunca tivesse te tocado, te abraçado ou mesmo te beijado, desejei nunca ter cruzado com o moço que aquela noite em que nos conhecemos vendia seus bombons, desejei nunca ter ouvido aquelas palavras que por ele foram ditas. E naquele mesmo dia que você me disse Adeus, naquele mesmo dia desejei, imensamente, profundamente, verdadeiramente com todas as minhas forças que você nunca tivesse ido embora.
E quando eu finalmente entendi que você tava realmente ido e não iria voltar, subi as escadas e tomei um banho gelado e enquanto lavava meus cabelos me dei conta que ali em meu rosto, também rolavam lágrimas, chorei no chão do meu banheiro, e cutuquei todas as feridas que em minha alma restava, cutuquei e me tranquei. E algumas amigas aparentemente preocupadas, começaram a falar que era apenas mais "uma". Ninguém é mais um na vida de ninguém. E você, você definitivamente não é só mais uma para mim. Eu segui os conselhos de uma ou duas amigas que me disseram:" vai conhecer pessoas novas, beba, dance, beije, se divirta" e eu fiz, eu levantei passei aquele batom vermelho que você odiava e fui.
Eu te procurei nos copos que eu bebi, te procurei nos corpos que conheci, mas eu não achei, não achei porque nesse mesmo dia descobri que o gosto do beijo, não é o gosto da boca, não é o gosto dos labios, o beijo, ahh o beijo, o beijo é o gosto do amor, e o teu beijo, o nosso beijo tinha gosto de certeza, gosto de amor...
E então ali pude perceber que poderia então surgir várias Karinas, patrícias ou camilas, que poderia surgir várias "festinhas" e que poderia também surgir algumas bebidinhas, mas no final, séria você, seria o seu beijo, o nosso beijo que eu iria procurar, seria em teu peito que desejaria repousar, seria em tua cama que desejaria pousar, e por fim seria em teu abraço que desejaria me eternizar.
Mas hoje, hoje? Hoje tenho que aceitar e me convencer a voar cada mais longe, cada vez mais alto, eu e você "três metros acima do céu"
-cpt