Estrelas – Rafael Rocha 13/11/2012... Rafael Valladão Rocha

Estrelas – Rafael Rocha
13/11/2012

Tudo que se inicia como estrela da tarde
Reluz e brilha como ouro, e faz-se bem inigualável
E algumas estrelas se escurecem á noite
Tamanha escuridão á sua volta lhe cega
Já não podemos avistar no céu a beleza
De tudo que um dia julgamos lindo e perfeito.

Com o tempo os relógios se atrasam
E as horas trazem notícias antigas
Tudo nasce novamente e devagar
Se vão as gaivotas e voltam os abutres
Já cultivei rosas esperando sentir seu aroma
Mas já as pisotiei para que o espinho não cubra suas pétalas
Já me machuquei com um abraço forte
Estive tanto tempo á deriva sem contar com a sorte.

Toda estrela linda e cadente nasce devagar
E todas as tardes há de ter homens quase cegos
Para verem e admirarem sua perfeição ao brilhar
Quem dera á esses homens o dom de saber
Que estrelas estão longe daqui
E que nunca as poderão possuir
Pois ao tentar abraçá-las elas hão de fugir

Eu abracei amores como estrelas
Esperando abraçá-las e ver ternura
Em verdade eu confesso o amor á tortura
Amei demais o que nunca pude ter
Cultivei bens que nunca pude ver crescer
E agora me deparo observando estrelas
Vendo o mundo girar e o horizonte amanhecer
Tão sozinho e confuso de tanto acreditar
Não posso ver mais nenhuma estrela
Sem antes de ti me lembrar.