O Juiz ou o Réu? Ultimamente tenho... Elizandro Pacheco

O Juiz ou o Réu?

Ultimamente tenho pensado bastante sobre o fluxo natural das coisas de uma maneira geral, mais especificamente com relação à “ação e reação” de nossas atitudes.
Ainda que imotivadamente, o mestre tempo faz com que a vida nos coloque em situações um tanto quanto complexas, pra não dizer imorais. Assim, acabamos sempre encurralados e forçados a exercer o nosso maior direito, o de escolha.
Algumas situações nos obrigam a rever valores morais e éticos, fazendo com que na maioria das vezes nossas escolhas não sejam reais. Seja por medo da sentença inevitável de uma sociedade hipócrita, ou apenas pelo medo de ser e principalmente agir diferente.
Quando paro pra pensar no que é certo ou errado, já não encontro respostas que me convençam. Não por não saber o que societariamente é correto, mas por pensar o que é correto para mim. E então, logo vem o sentimento de alienação.
Pode parece repetitivo tantos pensamentos, ainda que simplórios, em torno do mesmo motivo. Incomoda-me, confesso... Ainda que eu seja o Senhor do meu destino, me incomoda quando, ainda que dono de minhas escolhas e escravo das consequências, não consigo chegar a conclusão se sou o Juiz ou o Réu de meu próprio destino.
Não conheço a fundo o “Direito”, mas em minha concepção interna e, levemente doentia, a sentença não indica o fim ou a solução do processo. O processo continua, a consequência é o preço e a sentença só diz qual será esse preço.
Levando os pensamentos nessa linha, se eu optar por pagar o preço consciente das consequências de minhas escolhas, serei o Juiz ou o Réu?
Um punhado de valores nos são empurrados desde pequenos, passamos uma vida inteira (ainda que sem perceber) em busca de algo que talvez não seja o que realmente queremos para nossas vidas. É decepcionante, por um motivo simples:
Você corre riscos a todo o momento, a todo instante, a cada segundo. Tudo está em jogo sempre. Em um minuto você possui todo império construído lentamente ao longo dos anos, pedra a pedra, e passa a ver sua construção como resultado absoluto de uma vida de superação. E de repente, bum! Nada resta.
Todos aqueles valores agora são esquecidos, bate o arrependimento de dedicar tanto tempo de sua vida em prol de algo que nunca lhe pertenceu. E então, o tempo brinca com seu destino. Mas e os seus valores? Ah, eles repentinamente, mudam.
Quando você percebe que, ao invés de Senhor de sua vida e de suas escolhas, na verdade sempre foi o Réu escravo da moral, acaba como consequência percebendo que suas decisões sempre foram conduzidas por pressões societárias inúteis, e que o tempo é quem, na verdade, mostra o verdadeiro culpado.
E então hoje, já não me interessa como a sociedade me julgará, pois deixei de ser o Réu de minha própria vida. Minha sentença eu pago com prazer e o preço já não importa.
Julgado, de uma maneira ou de outra, sempre fui. Consciente ou louco, certo ou errado, bom ou ruim, amigo ou inimigo, simpático ou insuportável, humilde ou exibicionista, valorizador ou interesseiro, de paz ou de guerra, de ódio ou de amor... FODA-SE!
Ao meu lado restarão apenas aqueles, que diante de meu julgamento, se manterão ao meu lado pelo que sou não pelo que o mundo me classifica.
A classificação deixo a vocês, escravos de suas próprias vidas, Juízes das vidas alheias, e Réus de suas próprias convicções.
A minha sentença pertence só a mim. E o meu preço, ainda que sem nenhum de vocês, pagarei sem titubear em nenhum momento, pois o meu império não é feito do que vocês acreditam ter valor.
Nem tudo que reluz é ouro amigo.

Ass: Eu, o Juiz, O réu e o escravo. Agora de mim.

1 compartilhamento
Inserida por sl4ck