Foi Deus que fez o Vento

Cerca de 183709 frases e pensamentos: Foi Deus que fez o Vento

O homem não evoluiu; apenas sedimentou camadas sobre aquilo que sempre foi. Sob a cultura, a moral, a linguagem e a própria consciência permanece um território mais antigo do que qualquer civilização. A consciência é apenas uma névoa tênue que paira sobre profundidades que nenhuma teoria psicológica alcançou por completo. Sigmund Freud chamou uma parte de inconsciente; Carl Jung falou em sombras e arquétipos. Mas há algo ainda anterior a essas formulações — uma região sem símbolos, sem linguagem, sem história. Se a pobreza das palavras permitisse nomeá-la, chamar-se-ia Primevo: não a primeira camada da alma, mas aquilo de onde todas as camadas emergem.

O silêncio tornou-se insuportável não por ser vazio, mas por transbordar do que foi evitado. É nele que se acumulam as verdades adiadas, os afetos não elaborados, as perguntas que não encontraram coragem. A exposição contínua não busca comunicar — busca encobrir. E, assim, quanto mais se fala, mais se foge; porque o silêncio, quando enfim se impõe, não oferece ausência — oferece encontro.

Toda areia da praia já foi rochedo altivo, que ousou enfrentar o mar.
Hoje, desfeito em grãos, é pisado por todos. E o mar permanece — MAR.

A memória não é arquivo — é seleção inconsciente daquilo que ainda não foi elaborado. O aparato psíquico não retém o que passou: retém o que insiste, o que retorna em busca de sentido que não encontrou, o que permanece aberto como ferida que nunca cicatrizou por completo. Lembrar não é revisitar — é testemunhar o retorno do recalcado que, sob a forma de imagem, afeto ou sintoma, continua reclamando o trabalho psíquico que lhe foi negado. A memória, portanto, não fala do passado: fala do que, no passado, ainda não terminou de acontecer.

As doenças psíquicas tornaram-se quase ordinárias no nosso tempo porque o sujeito foi lançado num campo que exige resposta contínua: produzir, aparecer, interpretar, escolher, otimizar — sempre mais, sempre agora. Nesse ritmo, foi-lhe negado o intervalo onde a experiência se decanta e ganha forma. Sem pausa, não há assimilação; sem assimilação, não há consistência. E o que não se sustenta por dentro acaba por ruir em silêncio — ainda que, por fora, permaneça funcional.

Amar foi cronometrado, comprimido entre tarefas, como se coubesse no intervalo entre compromissos. Tornou-se item de agenda, gesto apressado, presença fragmentada. Mas o amor não obedece ao relógio: exige duração, atenção inteira, disponibilidade que não se mede. Quando se tenta encaixá-lo no tempo útil, ele se esvazia — permanece o ato, perde-se o encontro.

Coloquei um ponto final em tudo que um dia foi uma distração ou que foi um prazer temporário,
Acordei para um jeito melhor de viver, e nele só cabe nós dois, nossos cachorros, a nossa ilha imaginária de lazer e convivência e os dois novos herdeiros que hão de vir.

Pensei tanto que era amor,
Foi duro descobrir ao longo do tempo que era só minha teimosia.

Esquecer o que foi ruim é uma capacidade valiosa para se carregar,


Se inspirar e acreditar é fundamental para se enxergar a própria luz,


Cuidar da mente e reconhecer o seu real valor é essencial para celebrar as conquistas de sua história.

Minha vida perdeu a cor
Desde o dia em que você se foi
Ficou no peito essa dor
Que o tempo não destrói.


Nosso amor foi tão profundo
Difícil até de explicar
Você era o meu mundo
Meu jeito doce de sonhar.


Por onde quer que você vá
Meu coração vai te chamar
No canto dos beija-flores no ar
Meu amor vai te encontrar.


Quero que você possa saber
Mesmo distante de mim
Que eu não consigo esquecer
Este amor não teve fim.

Olha pra tua vida, quanto tempo foi perdido?
Quantas vezes tu chorou e ficou sozinho ferido?
Enquanto eles contam lucro, tu contando moeda
E o mundo tentando fazer tua mente ficar cega

Hoje deu errado,
ontem foi doloroso,
amanhã, tudo isso será passageiro.

O problema nunca foi tratar alguém com respeito. O problema começa quando a virtude vira uniforme e a consciência passa a usar crachá.
Chamam isso de "politicamente correto". Eu chamaria de maquiagem para um cadáver. A mesma sociedade que transforma gente em número, afoga velhos na solidão, vende infância como produto, mede amor por conveniência e dignidade por seguidores, agora quer ensinar boas maneiras. É como um açougueiro discursando sobre vegetarianismo enquanto afia a faca.
Trocaram a ética pela etiqueta.
Antes, um homem podia ser um canalha sem pedir desculpas. Hoje ele destrói vidas durante o expediente e, antes de ir para casa, publica uma frase sobre empatia. A crueldade aprendeu gramática. A hipocrisia descobriu o vocabulário da inclusão. A mentira fez faculdade.
Não é civilização. É cosmética moral.
O ser humano continua o mesmo animal assustado, egoísta, faminto por poder e aprovação. Apenas aprendeu quais palavras lhe rendem aplausos. Descobriu que é mais lucrativo parecer bom do que tentar sê-lo.
A verdadeira decência nunca precisou de cartilha. Ela aparece quando ninguém está olhando. Quando você pode humilhar e escolhe compreender. Quando pode esmagar e prefere estender a mão. Quando discorda sem desejar exterminar quem pensa diferente.
Todo o resto é teatro.
E o teatro sempre foi o esconderijo favorito dos covardes.
Talvez o maior escândalo do nosso tempo não seja que existam pessoas más. Pessoas más sempre existiram. O escândalo é que elas aprenderam a vestir a roupa da virtude e convenceram o mundo de que a aparência vale mais do que o caráter.
No fim das contas, não temo o homem que admite suas sombras. Temo aquele que sorri com a máscara da moral enquanto troca, silenciosamente, os valores que sustentam a condição humana por slogans convenientes.
Porque quando a ética é substituída pela aprovação coletiva, sobra apenas uma multidão educada demais para dizer a verdade e vazia demais para reconhecer a própria humanidade.

⁠Você foi o improvável que provavelmente mais me tocou. Foi o oposto que mais me atraiu.
Foi o inesperado que mais esperei.
Foi de uma intensidade, que nunca imaginei.

Mira só quer se unir aos elefantes e papagaios


Óamado ,foi prometido que todos que disserem o Nome serão salvos.
Pelo seu poder as rochas perdem sua dureza.
Derretendo como gelo virando água.A terra fica macia, cedendo.


Eu também sinto essa atração.


Não guardei mérito,sei bem o peso dos meus pecados.
Uma cortesã ensinou o papagaio repetir o seu nome.
E foi levada ao céu de Vishnu.
Um elefante que se banhava balbuciou seu nome e você voou para a terra.
Das costas de Garuda correndo para ajudá-lo.
Abriram-se as mandíbulas do crocodilo.
Libertou-se também aquele elefante do renascimento: chega de úteros animais para ele.
Ajamila deu a seu filho seu nome,chamando-o no leito de morte.
Você respondeu.O medo da morte desapareceu.
Todos conhecem essas histórias.
E você sabe quais seres lhe deram seus corações por completo.
Sua serva Mira faz uma pergunta:
Porque você não me salva?




Mirabai

Quando um veterano descobre que já tem mais passado do que futuro, deve sorrir: venceu o tempo e foi privilegiado pela vida. Agora, resta-lhe transformar cada novo dia em conquista, para que o futuro se converta em páginas dignas de enriquecer o seu passado.

Do nada, chega uma mensagem e aí constata que foi desarquivado por um passado em que foi muito amado, porém com melancólico final. Duas hipóteses: curiosidade mórbida para saber se ainda está vivo; ou, apesar dos muitos anos passados, sugere que ficou algo de si. À luz do romantismo, a primeira hipótese.

Por opção, renunciou ao palco e foi para a platéia; virou espectador. No início, ficou na primeira fila, mas com o passar dos anos, na última. Como sempre foi coadjuvante, administrou o anonimato numa boa. Esquecimento dos fãs foi natural, mas o dos colegas e amigos, doeu. Não reclama; era o contexto esperado pela sua opção, e o mundo é feito de opções, exceto ficar órfão do amor. Vive como os passarinhos vivem. Seu cotidiano: contemplar o universo pela janela. E o que restou do último ato: ainda sorri.

O Ofício da Escuta

Escolher a psicanálise como profissão nunca foi apenas sobre seguir uma carreira; foi sobre atender a um chamado para habitar o humano em sua forma mais pura e singular.

Nenhum dia na clínica é igual ao outro. Entre o dito, o silêncio e o nascer das palavras, tenho o privilégio de acompanhar o desatar de nós antigos e a reconstrução de histórias que pareciam estagnadas.

Ser psicanalista é aprender a arte de escutar o que a alma sussurra nas entrelinhas, oferecendo um espaço seguro onde o sujeito possa, finalmente, se reencontrar.

Amo a psicanálise porque ela me ensina, diariamente, que a dor não precisa ser o fim, mas o ponto de partida para a transformação. É um trabalho de paciência, respeito e constante descoberta — e não há nada mais gratificante do que testemunhar alguém se tornando autor da própria vida.

A indolência é uma ofensa ao tempo que nos foi concedido; honre a vida sendo, a cada dia, mais produtivo e justo.