Foi Deus que fez o Vento
Pareidolia
Nas nuvens, um coelho,
feito de vento e migalha de céu.
A natureza inventa vida onde há silêncio,
e a mente, danada, faz enxergar.
Eu vejo contornos que nem existem,
ou talvez existam, porque os inventei.
Minha sina é dar nome às coisas que ainda não sei o que são
e bordar sentidos no que vi.
Um galho seco me acenou — ou talvez fosse um braço.
Ao lado, a bananeira, com dentes amarelos, sorriu.
As coisas criam sentidos quando alguém as olha sem pressa.
Dia desses, vi teu rosto numa poça d’água,
um rosto de luz, desses que não têm peso.
A poça ria de mim com suas bordas de lama,
igualzinho tu faria se me visse fantasiar.
E eu, feito criança, ri de volta.
Seria loucura, ou só o mundo brincando de ser?
Tudo acaba virando o que o olhar quer.
Se você é uma vela acesa o vento poderá lhe apagar, agora se você for um incêndio o vento apenas lhe deixará mais forte.
E vi um tempo, sem tempo.
Tempo de eternidade, sem cansaço!
O vento parou. Não há mais fracasso,
Para todo o sempre…
Porque as amendoeiras, do Algarve, voltaram.
E há flores, nelas lá!...
E os laranjais floresceram!...
Também em Leiria, os desaparecidos, pinheiros voltaram.
Em Monchique, o jardim da Portela do Cano, floresce.
As açucenas, já perfumam!...
Na roseira, a rosa cresce.
E no Vale do Linho,
Como em Monção, nos canteiros e socalcos,
Há lírios, que crescem…
Os campos de cevada e trigo,
São grandes e muitos,
Como no tempo do tempo, antigo…
Voa flor , voa , voa!
Com o manso vento!…
Como no outro tempo.
Voa passarinho e teu cântico entoa!
Esse pássaro, sou eu sempre.
Aqui e agora e no tempo.
E depois, no futuro.
Onde, não mais., há na vida, furo.
No futuro, que não passa.
Nesse não passar, de nome jardim.
Onde a minha flor, jamais, seu ser disfarça.
Porque eu passarinho e flor, voarei.
Sempre, sempre, sempre , enfim!
Eis que o tempo passou…
E o vento, findou…
O mar, já não ruge.
Nem a chuva, mais surge.
Mas só há o bem!
As crianças cantam…
Os pássaros dançam
E a Deus, louvam.
Os meninos e os homens, não choram.
Mas num rio de tranquilas, águas,
Sobre elas, caminham…
Eis que veio, o bem
O rio, já o mal, não tem.
Mas agora, veio a luz.
A dos meninos, pequeninos…
E dos homens e dos leões…
E a que vem, da cruz.
Há paz, para sempre…
Há paz nos corações,
Sem, que mais, haja tempo!...
,
Joaquim
Joaquim! O vento parou! O mar está sereno...
E nesse teu calmo, mar!
Olha! Olha os peixes, no seu nadar.
E com eles, vai! Sim! Nesse empenho.
Caminha nas águas que correm pr'a norte.
Nao mais, para o sul.
Mas nesse teu rio azul....
Em aguas de paz... segue a vida e deixa a morte...
Mas canta com os peixes, seus belos hinos.
Hinos de amor, sem dor...
Vai nas verdes algas. Nesses caminhos...
Então, vida terás ...
Eterna... eterna. Nesse nosso mar.
Conflito
A nuvem escura tapou o sol!
Mas a luz, já estava na terra.
O vento pôs a árvore na terra mole.
Depois derrubou as árvores da serra.
O mar ameaçou toda a terra...
com suas ondas muito fortes.
Foi declarado ao lírio guerra,
por os ventos, dos bosques!
Mas a terra ajudou a árvore,
que não teve nada de grave.
A árvore no chão teve vida!
A árvore deu o seu fruto...
mesmo no chão caída!
E o sol deu sua luz, sobre tudo!
"Sempre que houver tempo é necessário ouvir a brisa do mar e que o vento seja mais forte para acalmar o brilho das estrelas."
Sou um jardim a florescer em uma tarde de quarta-feira, o céu está azul e o vento está fazendo com que os meus galhos se movam de um lado para o outro, até que ouço você dizer “meu jardim particular”, fiquei feliz.
Toques das mil faces
dos segredos de si
soberana, que enaltecem os olhos
Invadem a alma
É vento que sopra fogo
libera os desejos
É poder, lua de mistérios
Quem ousaria
decifrar!
As vezes é preciso abrir as portas, as janelas da Alma, para o vento levar as poeiras velhas e deixar poeiras novas.
O vento parece levar meus pensamentos e me parece que também trás os pensamentos alheios, em um intercâmbio que se chama saudade.
Dias se arrastam, longos e mudos,
pergunto ao vento onde você está.
Em que universo seu olhar se perde?
Em que pensamento sua alma repousa?
A noite densa sussurra mistérios,
estrelas dormem sob véus de neblina.
O que faz você nesta escuridão?
Dança com sombras ou sonha com luz?
A razão de viver?
Não existe.
A razão de viver?
O vento, o sol, o frio, o calor, o conforto e o desconforto.
A razão de viver?
Cabe a nós existir.
Fui até a sacada do meu apartamento e senti um vento frio em meu rosto ao abrir a porta.
Fiquei por alguns minutos olhando para o céu, vendo as estrelas e a lua, com o pensamento bem distante.
É incrível que muitas vezes pedimos tantas coisas para Deus, e muitas delas nós temos no "Agora", isso é sinônimo de muita fé e nos faz lembrar e perceber que muitas coisas que você pediu no passado hoje você realiza.
Nossos sonhos devem ser maiores que nossos medos, pois é Deus quem conduz a nossa caminhada, então deixe Ele escrever a sua história.
Estávamos a caminho para casa. No mesmo ônibus. Você estava alguns bancos atrás de mim. O vento que entrava pela janela bagunçava todo o meu cabelo. Eu queria olhar pra trás e te ver. No entanto, não tinha coragem. Resolvi ler um livro, mas não conseguir me concentrar, por saber que você estava por perto, e longe ao mesmo tempo. Já não nos falamos como antes. Nem um "bom dia, como vai" não é dito. O muro do orgulho nos separa. Todavia, quem dera se você soubesse que eu continuo a pensar em você, como da primeira vez....
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