Flor
A única rosa que te dei
não era flor, nem pétala, nem promessa —
era um espelho no meio do deserto,
um ponto luminoso na curva do nada,
o sinal de um certo querer que nem sempre se vê.
O gosto amargo permanece —
não na boca, mas no intervalo entre notas,
como se o silêncio fosse uma corda esticada demais.
Você era a borracha sobre calendários apagados,
apagando aquilo que nunca se soube desenhar.
O vento passou como uma lembrança
sobre o vidro frio dos dias alinhados,
um alfabeto de gestos que não se traduziu,
peças de um quebra‑cabeça que cabiam apenas
na caixa onde guardamos histórias incompletas.
Havia tanta corrente nas mãos —
um rio secreto subindo pelas margens do possível,
margens que se recusavam a ser caminhos.
O medo era ponte que avançava sobre espelhos,
cada passo dissolvendo areia invisível no ar.
Queimamos cartas que nunca se dobraram,
rasgamos páginas impregnadas de ausência,
apagamos sinais no calor das chamas —
gestos como pássaros que não voam,
ecoando um nome sem nunca pronunciá‑lo.
Agora restam os espaços vazios,
o ciclo fechado como livro antigo
que guarda apenas marcas de dedos na capa.
As linhas se tornaram fósseis de silêncio,
um suspiro seco que fica entre as notas
quando a canção já acabou.
E mesmo assim, no fundo do escuro,
a memória sussurra como vento em sala vazia,
um brilho que não ilumina nada,
um fogo que dobra as margens do possível,
um querer que recusa morrer —
não como chama, mas como reflexo de chama
sobre vidro que nunca virou cinza.
A respiração guarda vestígios de horizontes,
contornos de sombras que dançam sem corpo,
o olhar busca o que nunca foi alcançado,
o silêncio pesa como chão movediço,
cada lembrança uma ponte que não leva a lugar algum.
Não me procure, porque o que resta
é uma fome que não se cansa,
uma sede que não se dissolve em lágrimas,
um olhar que sempre busca o inalcançável,
um eco que insiste mesmo no silêncio.
Este é o ponto final do nosso nunca mais —
um fim absoluto, cruel, profundo,
mas mesmo assim, eu sempre vou querer mais.
Em lugares improváveis eu já encontrei o amor. Ontem mesmo vi amor entre o beija-flor e a rosa.
Eu já encontrei um amor nas mãos enrugadas da mulher que tanto lutou para ser quem é.
Eu já encontrei um amor na fila do banco, enquanto todo mundo tava preocupado com o tempo da demora.
Eu já encontrei um amor no meio da rua, em um abraço de saudade que deixou a minha alma nua.
Eu já encontrei o amor no café com bolo na casa da minha mãe e já vi amor nos olhos inocentes das crianças da minha vida.
Eu já encontrei amor até nas marcas deixadas pelas minhas feridas.
Nildinha Freitas
"Não espere que a flor que brotou no seu jardim nesta primavera seque, pra descobrir que era sua e valorizar as cores e lembrar do seu perfume. O amor surge, mas se não regar, ele murcha, seca e morre."
Por Marcio Melo
Uma flor embeleza qualquer ambiente com sutileza, mas para isso a energia precisa estar boa, porque não adianta colocar o belo em um local onde até o ar que se respira é pesado
Se uma flor pode brotar no meio da lama, então você também pode sair de suas dificuldades e florescer para a vida
“A mais bela flor do carmesim: O sangue escorre em suas pétalas. Os espinhos carregam a dor, e, a base, o caule, equilibra as memórias eternas da vida”
“Respeitar o tempo do outro é como regar uma flor: não adianta forçar a abertura das pétalas, é no ritmo da vida que a beleza se revela.”
A beleza e a vulnerabilidade de uma flor nos faz jardim. Não há como não se inspirar nas cores, no perfume e na leveza que a natureza nos dá.
É possível ser primavera , mesmo que o deserto seja demorado.
É possível ser verão, mesmo que o outono nos acolha.
O Espinho e flor.
Gosto das flores, mas também
dos espinhos.
Entendo que os espinhos,
são poesias nascidas nas(das) flores,
são formas vivas de se expressão.
A vida se revela no intervalo sutil
entre o pouso da abelha
em uma flor e outra...
colhe de uma,
oferece à outra,
e nesse ciclo de polinização ...
a natureza nos ensina
que a beleza e a força da vida
estão em dar, em receber
e em compartilhar...
✍©️@MiriamDaCosta
🌵Ode à Flor do Mandacaru 🌵 (Primavera)
Onde tudo é tão árduo,
o cacto resiste,
se erguendo em silêncio
no deserto que insiste...
e quando a noite se abre,
num instante raro,
a flor do mandacaru explode
branca, intensa, luminosa,
como se a própria primavera
tivesse escolhido
um templo improvável
para se revelar...
flor que não teme a secura,
nem a solidão do agreste,
mas guarda em si
um segredo de esperança:
o milagre de florir
mesmo onde a vida parece
tão árida e hostil...
onde a terra é ferida,
o sol é lâmina,
e o ar parece cortar a pele,
o cacto se ergue,
altivo, espinhoso,
desafiando a morte...
e é justamente ali,
na aridez cruel,
que explode em flor,
um clarão branco
rasgando a noite,
um grito de beleza
contra o silêncio seco do deserto...
o mandacaru sangra luz
no agreste inóspito,
como se dissesse à vida:
- Ainda assim, floresço!...
no coração da secura,
onde tudo parece desistir,
o cacto aguarda, paciente,
sua hora de revelar segredos...
e quando a noite desce,
discreta e solene,
a flor do mandacaru se abre
como um sopro de eternidade,
branca, imaculada,
um milagre escondido
nas entranhas do agreste...
É um lembrete suave:
até nos desertos da vida e d'alma
há primaveras adormecidas
esperando o instante exato
para florir... 🌵
✍©️@MiriamDaCosta
Meu jardim..
Em tempo de guerra, planto as minhas flores.
Decoro a estrada da vida com as flores mais belas existentes.
Gira sois ficam voltados para o leste.
As flores do campo, marcam os limites da estrada.
Orquídeas, ornamentam os quatro cantos da casa.
Um caminho de lírios conduzem ao meu interior.
Venha por ele, caminhe suave, tenha cuidado para não machucar e não se machucar.
Cheguemos juntos ao paraíso e desfrutemos deste viver em flores e odores.
Delicadeza e paz.
Saboreando a calmaria do amar, do amor.
O Amor é como uma flor, deve ser tratado com carinho e dedicação, para que possa dar flores a cada nova estação."
Na vitalidade noturna, uma Bela flor, a elegância de pétalas vermelhas, beldade vestida de amor, revelando a cor da sua alma intensa, fervor apaixonante, bênção radiante do Senhor, grandeza de arte rara, um rico esplendor que é semelhante a uma noite enluarada, a simplicidade em um tom sedutor, riqueza demasiada, detalhes exultantes, primor inegável, onde o romantismo se propaga de um jeito fervoroso entre várias camadas, íntimo profusamente amoroso, vigor de uma essência veemente por uma cor representada.
Na complexidade da rica natureza, o encanto dourado e irresistível de uma linda flor amarela, uma cura emocionante que provém do amor e do conhecimento divino, que liberta da dor, rejuvenesce fortemente o espírito, o vigor da rara felicidade assim como a vividade do físico.
O florecer de tonalidade deslumbrante, lindos detalhes reluzentes e transformadores, um poder constante que nela se faz presente, a fé revigorante numa ocasião breve, porém, marcante, um efeito talvez permanente ou no mínimo, entusiasmante naturalmente.
Encantamento imponente de belas pétalas e uma vívida essencialidade em um tom radiante, resiliente, a força da mutualidade daqueles que se amam verdadeiramente que tiveram seus universos enrolados em um laço consistente, um vínculo admirável bastante evidente.
