Feliz aniversário, filha: 71 mensagens para celebrar o seu dia

Nunca falamos muito, acho que nunca falamos nada. E não sinto necessidade de começar agora. O que poderia dizer? Existem séculos e séculos de silêncio entre nós e, debaixo dos séculos do silêncio, ocultas lá no fundo, se calhar esquecidas, se calhar presentes, se calhar apagadas, se calhar vivas e a doerem-me, coisas que prefiro não transformar em palavras, coisas anteriores às palavras...

Não sou um senhor de idade que conservou o coração menino. Sou um menino cujo envelope se gastou.

António Lobo Antunes
Livro de crónicas. Alfragide: Dom Quixote, 1998.

Nota: Trecho do conto A velhice.

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Não há ninguém que eu odeie, acho que dá muito trabalho odiar. Há é pessoas que me são indiferentes.

⁠Cada palavra conseguida é como uma pedra que retiro de um poço. Quanto maior é a experiência e a maturidade literária, tanto maior se compreende o caminho que ainda falta percorrer.

António Lobo Antunes
Blanco, Maria Luisa. Conversas com António Lobo Antunes. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2002.

A vida coloca empecilhos em nossas vidas pedindo “evolua, evoluam!”…

"Estar vivo não é o cenário, é o espetáculo.
Meu maior patrimônio é o agora."

Em uma época, você foi o meu maior pilar, minha melhor amiga, a pessoa que sempre pude confiar de olhos fechados.
O que aconteceu entre nós? Sinto que, não sou mais sua princesa, não tenho mais espaço na sua vida e nem no seu coração.
Porque você me abandonou e como se fosse uma obrigação vem para bater ponto dar um abraço e dizer que ama.
Dói tanto a cada dia que passa eu me decepcionar e me machucar.
Você sempre foi assim mas nunca vi, nunca abri meus olhos?
Eu estou tão sozinha posso te abraçar mais uma vez e chorar? Ser chamada de filha, a filha que você sempre quis ter?
Você diz que por minha causa nunca pode realizar seu sonho de ser mãe, mas eu sempre sonhei em vir de você.
Eu só sonho que você não me machuque mais e que em outra vida, eu posso realizar seu sonho e você o meu. Só torço que não me machuque também.
Até outra vida, te esperarei com o coração de portas abertas.

Será que em algum dia alguém poderá me olhar com admiração?
Ler meus poemas deprimentes e ruins.
Gostar do meu estilo cafona.
Escutar berros nos karaokês.
Meu gosto musical peculiar.
Ver com carinho minhas playlists.
Postar fotos fofas minhas.
Entender minha amizade com personagens fictícios.
Me enxergar, me ouvir, me amar, me admirar, ver minha evolução com carinho.
Eu não consigo me ver tanto, me ver com outros bons olhos.
Alguém um dia será capaz de me ver?

Acredito que chegamos em um momento que nada pode abalar tanto a nossa estrutra.
Viver em nossa atual sociedade e estar propício a cada evento chocante e traumático.
Penso que muitos dizem que estamos em uma era que todos são ansiosos.
Pois bem, ao acordar já nos abalamos, ao ligar a televisão nos chocamos, ao conversar com um parente nos destruímos.
Então não, não é uma era, viver é estar vivo e infelizmente estar sempre ansioso.

Por que ainda consigo sentir seus lábios, seu toque, seu cheiro, suas mãos no meu corpo?
Por que não consigo me libertar desse sentimento que me faz lembrar você?
Por que eu ainda quero você na minha vida?
Por que não lutei quando tive a oportunidade?
Eu te amo, e não sei o que fazer com esse amor, que insiste em ficar no meu coração.

Até o último dia do ano chorarei.
Chorarei tanto quanto uma criança perde seu brinquedo favorito.
Chorarei aos montes como um adolescente que tem seu coração partido pela primeira vez.
Me debulharia em lágrimas como um adulto que percebe o quão o mundo é injusto.
Soluçarei como um idoso que já teve que dar adeus a pessoas que amou.
Chorarei, até o fim pois, quem sente com tanta intensidade a alma já dói, grita.
Até quando minha extrema intensidade vai me afundar?
Será que um dia conseguirei ao menos chegar na superfície mas não ser superficial?
Eu quero subir, quero tirar minhas âncoras, porém, se elas se forem, o que sobrará de mim?

Existe uma linha tênue entre amar e se perder.
Se eu amo, amo pela forma que sou tratada ou pela forma na qual me desprendi de mim mesma para me entregar a esse amor?
Será que o amor que sentem por mim e pelo meu amor ou a falsa ilusão de quem posso ou não ser?
Amar é projeção, espelhamento.
Eu amo o que me vejo ou amo como me veem?

Minhas lágrimas carregam tanta dor e sofrimento que, machucam a minha pele e onde posso sentir fisicamente o que me traz aflição.

Queria tanto que me conhecessem verdadeiramente, sem mentiras, sem máscaras sociais, apenas eu.
Será que gostariam de saber quem sou de verdade?
Eu gostaria tanto de me apresentar novamente, me abrir, chorar e sorrir livremente.
Me abandonariam novamente? Ou se afastariam fugazmente?
Eu tento tanto medo…
Mas poderiam abrir a porta para que eu me mostre confortavelmente e me amem?
Será que estou pronta para ser eu mesma?

O peso do mundo solitário recai em meus ombros.
Machuca minhas costas e esvazia minha alma.
A quem compartilhar tamanho sofrimento?
O espelho já não aguenta meus lamentos.
Minha mente pede benevolência.
Meu coração não suporta mais isolamento.
Será que posso mudar o que já foi feito?

Quando chegará o dia, o dia que me libertará desse ciclo vicioso?
Quando pararei de me arrepender, de viver em angústia?
Anseio pelo dia que olharei para minhas escolhas com carinho.
Desejo profundamente parar de me arrepender das minhas escolhas e me culpar por elas.
Eu não queria mais ter que ficar.

Eu não preciso de alguém para existir. Mas, preciso existir para alguém.

Na linha tênue entre o certo e errado, haverá o poder de escolha, o querer.
Nos colocando em uma constante posição de reflexão do que seria o certo e errado, o bem e o mal.
Além disso existe a critica pessoal, afinal o que poderia ser certo e bom? E o que seria errado e mal?
Porque azul é algo positivo, bom, certo. É vermelho é negativo, ruim, errado?
Creio que constantemente nós humanos entramos nesse dilema, e para sair dele?
Contestar o senso universal e adquirir a escolha livre e senso crítico.
Devemos nos questionar sim, porém , o certo e errado é individual, não coletivo.
A subjetividade humana é fascinante e discutível.
Afinal, dentro de nós existe o poder de ser o certo e errado, viver é único, porém o que me fascina é a forma como seres humanos pensarão diferente, e formas de pensar que podem ajudar milhares de pessoas, mesmo fazendo algo considerado errado e ruim e, como existem pessoas que se beneficiam em torno do sofrimento alheio e considera que sim, é certo e bom.
Subjetividade é fascinante e eternamente questionável.

Tive um sonho. Um sonho majestoso.
Animais andavam livremente sem medo em suas determinadas faunas.
Áreas arborizadas com vento fresco.
Mesa posta e farta a toda população.
Crianças sendo crianças sem suas infâncias roubadas.
Educação de alto nível à todos.
Mulheres felizes e livres que podem até andar nuas que estão seguras.
Homens que podem ser livres para chorar e não ter julgamentos.
Pessoas andando de bicicleta, crianças brincando de pular corda.
Não, por favor, não me acorde, quero viver nesse meu sonho eternamente.

Eu queria muito viajar, ir à praia e ficar em paz.
Viajei com meu pai, por muitos anos fora algo que sempre sonhei.
Porque não sinto nada? Me tornei vazia?
Minhas mágoas podem ter enrijecido meu coração e a minha alma.
Quero um dia poder libertar-me desse imenso vazio, me sinto um buraco negro.
Não quero me engolir mais.
Quero poder me permitir a sonhar.
Me permitir viver, a cada dia, mais e mais.