Feliz aniversário, filha: 71 mensagens para celebrar o seu dia
Sebastian: - Eu só vim te dar tchau.
Anette: - Vai embora?
Sebastian: - Vou.
Anette: - Pq?
Sebastian: - Por sua causa!
Anette: - O q eu fiz?
Sebastian: - Vc é hipócrita e eu não ando com hipócritas.
Anette: - Pq vc diz q sou hipócrita?
Sebastian: - Vc diz o tempo todo q vai esperar pelo amor, e aqui está ele, na sua frente e vc ta dando as costas pra ele. Isso faz de você uma hipócrita. Eu vou embora e vc, vc vai passar a vida inteira sabendo q deu as costas pro amor. Até a próxima vida!
Meus grandes momentos de felicidade não coincidem com grandes
momentos. Não se tratam de rituais de passagem, de grandes realizações, não têm holofotes, arranjos de flores, entradas triunfais, rufar de tambores. Poucos deles ficaram na memória associados a uma data e são muito mais sensações, frases soltas, pequenos gestos do que propriamente grandes momentos. Foram, na verdade, ordinariedades simples capazes de parar o tempo e me mostrar a perfeição do instante, de revelar milagrosamente, como quem tira um coelho da cartola, a felicidade irretocável que eu estava vivendo. Gérberas enroladas em papel pardo numa manhã de sábado. Café com empada e jornal na Rua da República. Banheira e sopa de abóbora temperada de lexotan. Saguão de aeroporto esperando amigos que conversavam fumando. A mão que brinca por debaixo das cobertas com a minha tornozeleira. Cadeiras lado a lado no salão de beleza com a irmã que vai casar. A subida da serra num carro 1.0 com Facelo de co-piloto e DJ. Amigos dividindo pão de queijo e café pra se despedir. Um quarto de hotel num fim de tarde fúcsia com os Morelembaum de trilha. A boca cheia de spaguetti. Calor, refrigerante, poeira e 8.000km num carro sem ar condicionado. Nininha fritando bolo de batata. Ser embalada aos pulinhos. Um anel escondido nos lençóis. "Ticcia, Ticcia, ó, não tê lua, tê estelinhas". O Frescão na chegada ao Rio. Roupa manchada de laranja 60 percebes depois. Chope do Liliput. O elogio de um cara genial. A escada rolante do desembarque. Sentir-me em casa.
TP 179.
Passaram poucas horas juntos, com a sensação de que seu encontro era mais que uma conspiração de acasos. Não puderam entristecer-se, felizes que estavam com aquela brecha de vida que desenrolava uma fita, que tecia um urdidura rara e frágil. Falaram da vida e do mundo aproveitando cada instante, sem reservas ou medo, sem querer estar em nenhum outro lugar além dali mesmo, ao lado, desfrutando os minutos com a entrega absoluta da iminente finitude. Mereceram esquecer-se da vida que existia fora daquelas circunstâncias, porque concederam-se experimentar as possibilidades, ainda que as possibilidades fossem nada mais do que desejo secreto e improvável. Descobriram que podiam partilhar uma invenção do mundo em que só eles eram o que realmente eram e que lhes permitia serem assim, na simplicidade do acaso, um pouco um do outro como não tinham experimentado ser para ninguém, sem plano ou aquiescência, sem querer. Habilitava-se uma cumplicidade irrepetível que fazia o ar mais doce, mais calmo e seguro, subentendida a singularidade do que estavam vivendo, como se sussurrassem em silêncio para que cada segundo fosse sorvido, gravado, absorvido, tatuado na memória dos sentidos. Sem tristeza ou pesar, procuravam reter tudo o que eram capazes um do outro, relicário de imagens e sons, o riso, a maneira de mexer a boca, erres e esses, a cor das mãos, o nome dito por aquela voz, a marca dos lábios no copo, os cílios inquietos, os cabelos em desalinho, um cheiro de perfume e sono, o formato das unhas, o volume do corpo. Sabiam que não ousariam rebelar-se contra o que se fazia posto e acabado na vida que era para além dali, mas queriam guardar um do outro, ainda que ainda não soubessem, recortes e fragmentos para contarem sua história de outras formas, de outros jeitos, com outro enredo que lhes permitisse experimentar o gosto da boca, dos líquidos, o peso do corpo, o calor das mãos, suas sombras, noites, vento, manhãs. Porque precisavam disso, do que eram e da rebeldia escondida do que poderiam ser, mesmo longe, mesmo reinventados, mesmo nas lembranças imaginadas do que nunca teriam vivido, uma dobradura feita daqueles momentos, como se pudessem transformar os instantes em uma outra coisa qualquer, sem lógica ou tempo, viva por si mesma dentro deles em algum lugar. Secretamente viva e possível, assim que ousassem vivê-la.
DIVERSIDADE E CONFLITO
“Meu amigo,
Se você
vem,
De um mundo
Onde,
Todos tem
O mesmo nariz,
O mesmo sorriso e
a mesma forma,
de ver e sentir as coisas,
Você não conhece, nada!
Você, não conhece, ninguém!”
Do Livro: Quebrando o Espelho.M.H.S.Araújo
Hoje é um daqueles dias em que me sinto um pássaro engaiolado
Queima dentro de mim uma urgência de viver
Um sentimento de tempo passando, experiências desperdiçadas, vida não vivida.
E eu, espectadora da vida
Como a Carolina na janela
Hoje é um daqueles dias em que o mundo parece pequeno
Mas ainda me falta a coragem de domá-lo
A casca está se partindo
Os sons da vida enchem o ambiente
Mas a segurança do ninho ainda me prende
Hoje é um daqueles dias em que gostaria de fugir de mim
De não ser tão resolvida, liberada, forte
Queria não ter que decidir, resolver, pagar.
Queria de volta meus sonhos de menina
Queria ser apenas a mulher de um homem
Sabemos que existem sombras para as sombras das coisas, como um reflexo visto no espelho de um espelho. Sabemos que existem círculos dentro de círculos e dimensões além de dimensões. A própria realidade é um sombra, somente uma aparência aceita por aqueles cujos olhos evitam oque está além.
O que quero dizer é que o tempo é pouco. De agora em diante, aqueles que têm esposa, vivam como se não tivessem; aqueles que choram, como se não chorassem; os que estão felizes, como se não estivessem; os que compram algo, como se nada possuíssem; os que usam as coisas do mundo, como se não as usassem; porque a forma presente deste mundo está passando.
CAFUNÉ
Venha acariciar meus cabelos.
Enfie seus dedos entre os fios.
Me provoque arrepios.
De prazer.
Venha muito feliz me fazer.
Venha me fazer cafuné.
Venha, meu amor.
Não se demore.
Estou a lhe esperar.
Nunca deixei de lhe amar.
Nas cinco oitavas do piano eu tocarei você como um pianista toca uma música imortal e nas sete notas que estão escondidas em teu corpo farei uma sinfonia de amor musical.
Itália, berço e lar de meus amores...
Paleta das mãos de Deus...
Tanto amor, tanta beleza,
Preenchendo os olhos meus...
...há um ar de silêncio entre
a promessa e o sonho.
Fecho os olhos e sonho distante.
Ele ainda é paixão presente e sonhada a vida toda,
parece que agora tudo acabou - mas deve ter sido amor.
A pressão arterial sobe, a temperatura corporal desce, as glândulas sudoríparas trabalham em ritmo acelerado e as salivares parecem parar. Como pode um simples olhar da pessoa amada desencadear tantos efeitos?
Olhe para trás!
Está vendo o caminho percorrido?
Entre quedas e tropeços, subidas e descidas, momentos bons e ruins, chegamos até aqui.
Vivemos histórias que não pertencem a ninguém mais.
Guardamos na memória, fatos que máquina nenhuma no mundo conseguirá revelar.
Fazem parte das nossas lembranças, nossos passos e da pessoa única que somos.
Mas, infelizmente, temos o hábito de guardar cicatrizes do que nos fez infelizes e olharmos como uma lembrança distante e apagada o que nos deu alegria.
É possível ressentir uma grande dor com grande intensidade, trazendo à tona as mesmas emoções vividas, mas como é difícil ressentir do mesmo jeito, uma felicidade que um dia nos fez vibrar!
O ideal seria inverter as situações.
Guardar na pele e na alma cicatrizes do que nos fez bem e nos lembrar do mal sem muita nitidez.
Guardar das pessoas o lado bom, o bem que nos fizeram e o que de bom vivemos juntos.
Talvez devesse constar com mais frequência as palavras perdão e compreensão no nosso dicionário.
De vez em quando, digo, olhe para trás!
Mas não se volte completamente.
Olhe apenas o bastante para se lembrar das suas lições para que estas te sirvam no presente.
Não lamente o que ficou, o que fez ou deixou de fazer.
O que é importante seu coração carrega.
Olhe diante de si!
Há esse véu encobrindo o que virá, deixando entrever apenas o q seus sonhos permitem.
Mas existe dentro de você uma sabedoria de alguém que desbravou alguns anos da história.
Existe dentro de você uma força que te torna capaz!
O dia chega insistente como as marés do oceano.
Às vezes calmo, outras turbulento, mas presente sempre.
Vivo sempre.
Cada noite dormida é uma vitória, cada manhã, um novo desafio.
E você nunca está sozinho, mesmo quando se sente solitário.
Todo o seu passado está gravado em você, como gravadas estão as pessoas que você amou.
Levante esse véu pouquinho a pouquinho a cada amanhecer; sem pressa, saboreando a vida como uma aventura, nem sempre como um mar calmo e tranquilo, mas possível, muito possivelmente vitoriosa.
Construa hoje as suas marcas de amanhã.
. Minha criança -trecho maior
Artur da Távola
Peço licença para falar na minha criança, a que mora aqui dentro e não me abandonará jamais. Talvez com a morte eu até regresse a ela. Os quase setenta anos que dela me separam não a removem. Ela ali está, magra e tímida, a me olhar e ditar comportamentos e reações.
Minha criança esteve em todos os meus filhos e aparece no meus sete netos. Ela se refaz da morte da irmã e abre os olhos para o mundo, com a certeza de que veio ao mundo para alguma missão, embora sempre se considere inferior ao tamanho da mesma.
Minha criança sente enorme saudade de pai e da mãe com quem o adulto já não conta salvo no exemplo, na saudade e nas orações quando me domina uma fugidia sensação de estarem, incorpóreos, a meu lado, mas sem se manifestarem.
Minha criança possui incomensuráveis solidões diante do mistério do infinito. Ainda recua diante do violento, embora não o tema, e ainda se infiltra em episódios de distração e inocência inexplicáveis num homem com minha carga de vivências. Minha criança ainda gosta de abraço caloroso, proteções misteriosas e de um modo de rezar que o adulto nunca mais conseguiu tais a entrega e a total confiança no mistério e na proteção de Deus.
Minha criança carrega o melhor de mim, é portadora de meu modo triste de falar de coisas alegres e de algum susto misterioso sempre que se lhe impõe alguma expectativa d enfermidade. Minha criança é inteira, mansa, bondosa e linda. Eu a amo, preservo, e dou boas gargalhadas quando a vejo infiltrar-se nas graves decisões de algumas de minhas responsabilidades adultas. Ninguém a vê, salvo eu. Ninguém a acaricia, salvo eu, que a estimo, procuro e admiro mais a cada dia e com quem converso histórias infinitas, que somente a imaginação pode conceber no universo maravilhoso da fabulação interior e solitária.
Diariamente passeio com minha criança e estou muito feliz por cumprimentá-la, levar-lhe balas, nuvens, aquele cão da meninice, as canções de minha mãe e os carinhos de meu pai.
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