Feliz aniversário, filha: 71 mensagens para celebrar o seu dia

Tenho um amor fresco e com gosto de chuva e raios e urgências. Tenho um amor que me veio pronto, assim, água que caiu de repente, nuvem que não passa. Me escorrem desejos pelo rosto pelo corpo. Um amor susto. Um amor raio trovão fazendo barulho. Me bagunça. E chove em mim todos os dias.

É quase impossível esquecer o menor abandonado, nossas dívidas, o racismo, as guerras... Mas graças a Deus existe sempre a música.

Quando você nasceu, eu renasci.
Quando você sorriu, eu chorei
Quando você precisou, eu estava ali.
Quando você adoeceu, eu rezei.
Eu te alimentei.
Eu te cuidei.
Eu te protegi.
Eu te amei... em todos os momentos.
Filho, não te peço nada em troca, pois seu sorriso já é meu paraíso.
Te amo!

(A função do poeta)

O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o certa vez na rua:

- Sr. Bilac, estou a precisar vender a minha propriedade, que o Senhor tão bem conhece. Poderia, por gentileza, redigir o anúncio para a venda no jornal?

Olavo Bilac apanhou o papel que o amigo lhe estendia e escreveu:

VENDE-SE ENCANTADORA PROPRIEDADE

"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo. Cortada por cristalinas e marejantes água de um ribeiro. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda".

“Meses depois, o poeta reencontrou o comerciante e perguntou-lhe se havia conseguido vender a propriedade”.

- Nem pense mais nisso Sr. Bilac! Quando li o anúncio que o senhor escreveu é que percebi a maravilha que tinha nas mãos.

Às vezes não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longe atrás de Miragens e falsos tesouros. Valorize o que você tem. A pessoa que está a seu lado, os amigos que estão junto a você, o emprego que Deus lhe proporcionou, o conhecimento adquirido, a sua saúde, o sorriso... Enfim, tudo aquilo que Nosso Senhor nos oferece diariamente para o nosso crescimento espiritual.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música e quem não acha graça de si mesmo.

Martha Medeiros

Nota: Trecho da crônica "A Morte Devagar", publicada por Martha Medeiros no dia 1 de novembro de 2000. Muitos vezes é equivocadamente atribuída a Pablo Neruda.

...Mais

A beleza feminina sob a ótica masculina

Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher.

Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.

Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim.

Nossa avaliação é visual. Isso quer dizer, se tem forma de guitarra… está bem.

Não nos importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas.

As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas…

Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo.

As magrinhas que desfilam nas passarelas, seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são retas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.

Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura.

A elegância e o bom trato, são equivalentes a mil viagras.

A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa.

Os cabelos, quanto mais longos, melhor. Para andar com os cabelos curtos, bastam os nossos.

As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas. Porque razão as cobrem com calças longas?

Lei da natureza… que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulêmica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranquila e cheia de saúde.

Entendam de uma vez! Tratem de agradar a nós e não a vocês, porque, nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher.

Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é linda.

As jovens são lindas… mas as de 30 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por tantas delas somos capazes de atravessar o Atlântico a nado.

O corpo muda… cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18.

Entretanto uma mulher de 36, na qual entre a roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo. Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade não se saboteia e não sofre); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.

Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos ‘em formol’ nem em spa… viveram!

O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.

Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se! A beleza é tudo isto. Tudo junto!

Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição
no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga.
Tudo o que todos querem é amar!
Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras.
Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. Que nos
faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado.
Depois que acaba esta paixão retumbante, sobra o que? O amor. Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar.
O que sobra é o amor que todos conhecemos, o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe
sexo.
Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.
A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de
durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.
Casaram. Te amo prá lá, te amo prá cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência.
Amor, só, não basta!
Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades.
Tem que saber levar. Amar, só, é pouco.
Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar.
Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar.
Entre casais que se unem visando a longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra
cada um. Tem que haver confiança! Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou.
É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, "solamente", não basta.
Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência.
O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.
Um bom amor aos que já têm! Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos nós!

Artur da Távola

Nota: Trecho de um texto do autor.

No dia do Juízo Final, os médicos terão de responder por mais vidas do que os generais.

Prefiro morrer como um homem, a viver como um covarde...

Às vezes é preciso diminuir a barulheira, parar de fazer perguntas, parar de imaginar respostas, aquietar um pouco a vida para simplesmente deixar o coração nos contar o que sabe. E ele conta. Com a calma e a clareza que tem.

Antes de me julgar, pense em toda merda que você já fez.

Na vida, não existe nada a se temer, apenas a ser compreendido.

Talvez ela não seja a sua maior alegria, mas ela tenta de tudo pra não ser a sua maior decepção. Independente da imagem que outros fazem dela, ela faz de tudo pra que possa mostrar a sua beleza interior. Erra muito, chora constantemente, se decepciona, se desespera. Sonha muito, se ilude muito, mas também, se alegra muito. Aprende muito. E mesmo um pouco tímida as vezes, sabe como conquistar uma amizade. Olhar misterioso, e motivador. E mesmo às vezes um pouco criança, ela sabe a hora certa de mostrar seu lado mais infantil. Ama e demonstra. E se um dia essa menina disse que te ama. Acredite se quiser, foi a mais pura verdade. Por isso, cuidado com o que diz a ela. Porque se você tentar machucá-la, ela se decepcionará. E você perceberá que ela não era apenas especial, que em pouco tempo, ela se torna ESSENCIAL.

Cuide da sua menina

Eu sei que você pensa coisas do tipo, - como ela me sufoca, - como ela me prende, - como ela ciumenta, -como ela é chata, - como ela consegue brigar tanto, - eu quero sair hoje, -eu não quero ir lá, - eu não quero fazer isso que ela quer.
Eu sei que você pensa muita coisa sobre ela das melhores ate as piore. Eu também sei que você pensa coisas assim, -que linda que ela ta, -que cheirinho bom, -que carinho gostoso, - que saudade ruim, - que bom estar com ela, - que abraço bom, - eu a m o ela.
Eu sei que apesar dela não te impedir de sair ou você não deixar que ela te impeça, você sente falta de sair, curtir sem dar satisfação, sente falta de ir pra night e poder ficar com várias, sente falta de dar uma pegada diferente, de sair por aí, de curtir com teus amigos sem preocupação, sente falta de bocas, gostos sabores, corpos e assuntos diferentes.
Eu sei de tudo isso, mais ela sabe? Provavelmente a sua menina deve pensar coisas desse tipo pelo fato de toda menina pensar assim, mas com certeza ela deve imaginar que tu a ama sem limites e que vocês realmente são eternos.
Mais eu sei que apesar das coisas que você deseja na ausência dela, você também pensa em estar com ela toda hora, sente uma falta doida dela, gosta dos abraços beijos, carinhos, do jeitinho de rir, de falar besteira, o jeito de pedir desculpa, das brincadeiras de vocês, de conversar e poder saber que você pode contar com ela. Sim você realmente a ama do fundo do coração e ela é a menina mais linda do mundo.
Como você pode pensar tanta coisa assim de uma só menina? Da sua menina.
Eu sei o que você pensa e sei também o que ela pensa, para não fazer você perder teu tempo com palavras românticas e cansativas que ela deve lhe falar normalmente e escrever também e você já não presta mais tanta atenção.
Ela te ama muito, com uma intensidade sem limites, quer o teu melhor, quer o teu bem, ela também pensa algumas coisas ruins sobre você e tu também irrita ela, mais isso passa em segundos, esses pensamentos saem da mente dela como se nunca tivessem passado por lá.
Com o tempo que vocês estão, ela aprendeu a lidar contigo e vice e versa, com o tempo ela sabe o que te irrita o que te faz bem e tu também sabe tudo sobre ela.
Mais esses seus pensamentos não saem da tua cabeça tão facilmente, e a tua menina te irrita muitas vezes sem nem ao menos ter a intenção.
Você sai com frequência, às vezes você esquece dela, às vezes tu não lembra de alguma coisa que ela pediu, às vezes tu vai esquecendo, simplesmente esquecendo.
E a tal menina? Ela chora, ela fica triste, ela acha que você simplesmente não a ama; mesmo que não seja isso que esteja acontecendo, você ‘apenas’ esqueceu.
Será que você realmente está esquecendo? Apenas esquecendo?
Você já parou pra pensar nela como antes você pensava? Você já olhou bem pra ela e viu o brilho nos seus olhos? E como ela se esforça pra te deixar feliz?
Deveria realmente, deveria, depois de tudo o que vocês viveram, você deveria.
E a tua menina? Continua com os mesmo pensamentos tristes e sem razão se sente lesada, e deixada de lado, e com o medo constante de Te perder.
Você realmente acha que essa menina, a tua menina, insisto em dizer, não é mais importante que uma curtição que momentos com os amigos, melhor que qualquer night?
Se acha ou não a menina já tirou suas próprias conclusões, e já se feriu o bastante.
Você está preparado pra perdê-la? Se estiver... bum! Perdeu, e agora?
E agora te prepara pra night, pra curtir outros corpos e outros gostos e voltar pra casa e se deparar sozinho, sem ter alguém pra abraçar sem ninguém pra ligar e contar seu dia, seus problemas, sem poder dizer TE AMO.
E a menina? Ela cresceu não é mais a s u a menina, ela não te entendeu.
Até que um dia você encontra a mulher que um dia foi a tua menina e ela esta mais linda do que nunca, e em sua cabeça os pensamentos que há tanto tempo quando estava com ela não existiam mais, esses pensamentos voltam e as palavras EU TE AMO, VOLTA PRA MIM passam subitamente em sua cabeça. E a mulher? Bom ela te dá um beijo no rosto e vai embora...
E agora eu ainda sei o o que você pensa, e ela sabe?
Preste atenção em quem você ‘ama’ e cuide da SUA MENINA.

A felicidade não consiste em adquirir nem em gozar, mas sim em nada desejar, consiste em ser livre.

Chuva

Chuva que cai em tarde ensolarada
Noite que desce estrelada
Poesias que não rimam com nada
E carinho pela pessoa amada.

Leio o que eu não posso ver
Sinto o que eu não posso ter
Tenho fé onde eu não posso querer
Amo por apenas crer.

Tenho emoção exaltada
Ás vezes não penso em nada
Não consigo nem entender
Essa imensa estrada.

O mundo ainda irá existir
Enquanto dessa terra eu não partir
Pois meu coração pulsa e arde
Pela mulher que da minha vida faz parte.

E o badalar do sino
Me lembra de quando eu era menino
Que para ser feliz
Basta ter amor e carinho.

Alguns infinitos são maiores que outros.

Não é que sou solitariao, conheço a estupidez humana e nao quero me contagiar.

esta palavra saudade
conheço desde criança
saudade de amor ausente
não é saudade, é lembrança
saudade só é saudade
quando morre a esperança

O Homem Nu

Ao acordar, disse para a mulher:

— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.

Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão!

Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

— Maria, por favor! Sou eu!

Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.

Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.

E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

— Isso é que não — repetiu, furioso.

Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.

— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si.

Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:

— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...

A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

— Valha-me Deus! O padeiro está nu!

E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:

— Tem um homem pelado aqui na porta!

Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

— É um tarado!

— Olha, que horror!

— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.

— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

Não era: era o cobrador da televisão.

Fernando Sabino
O Homem Nu. Rio de Janeiro: Record, 1975.