Feliz aniversário, filha: 71 mensagens para celebrar o seu dia

Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. E ninguém vê que estou morto.

Eu quero mesmo é que tudo exploda. E que seja luminosa, a explosão, que ecoe pelos quarteirões e faça tremer teus vidros, quebrar tuas janelas. Que perturbe teu sono e te faça ir pra rua pra ver o que aconteceu. Você não vai me encontrar lá. Eu não sou o piloto. Não sou o passageiro. Não sou o pedestre. Eu sou o acidente, e eu sou grave.

Não, você não me entende. Sei que você não me entende porque não estou conseguindo ser suficientemente claro, e por não ser suficientemente claro, além de você não me entender, não conseguirei dar ordem a nada disso. Portanto não haverá sentido, portanto não haverá depois. Antes que me faça entender, se é que conseguirei, queria pelo menos que você compreendesse antes, antes de qualquer palavra, apague tudo, faz de conta que começamos agora, neste segundo e nesta próxima frase que direi. Assim: é um terrível esforço para mim. Se permanecer aqui, parado nesta janela, estou certo que acontecerá alguma coisa grave - e quando digo grave quero dizer morte, loucura, que parecem leves assim ditas. Preciso de algo que me tire desta janela e logo após, ainda, do depois. Querer um sentido me leva a querer um depois, os dois vêm juntos, se é que você me entende.

Você sempre viveu sem ele, e continuará vivendo.

Me perder, me encontrar, a cada vento que soprar.

Namorado...

O que é ter um namorado?
É fazer a vida ter sentido,
Sentir-se feliz de qualquer lado
E achar tudo tão bonito?

É muito mais que tudo isso,
É querer estar perto a todo instante
É chegar perto e suar frio
É estar alegre o bastante

É dividir o lanche da padaria,
É sair correndo da chuva,
É sair de casa escondida,
E ir ao cinema na sessão das duas

É andar no jardim de mãos dadas,
É ganhar uma flor apanhada,
É gargalhar das meias rasgadas,
E ser lembrada de madrugada

É mesmo em pensamento estar junto
E não dar espaço para solidão
É ter em mãos o mundo
Mas só uma pessoa no coração

É poder rir das suas caretas,
E esquecer um pouco do tempo,
Brincar de correr atrás das borboletas
E guardar para sempre esse momento

É querer dormir agarrado,
Acampar em bosques enluarados
É querer estar sempre abraçado
Mesmo em dias ensolarados

Tudo isso é ter namorado.

Amor Proibido
Minha linda mulher
Você têm o olhar fugaz
São poucos, assim como eu
Que percebem seu lindo olhar
Seu lindo sorriso
Quero sempre bem aproveitar
Segredos entre nós
Você já viveu um amor proibido?
Se não, venha comigo,
Fica comigo, vamos viver
Vamos namorar escondidos?
Bem-querer ao meu querer
Homem covarde com você
Jamais eu serei
Vi lindas mulheres
Vivendo a sofrer por causa
De homens que não sabem que todas
As mulheres precisam ser tradadas
Como uma rosa em um lindo jardim

Mergulhando nesse amor profundo
Amor-perfeito, anjo perfeito
Rumores vão surgindo que te amo
Como posso, nem consigo, disfarçar
Elemento perfeito para te demonstrar
Liberdade em um amor proibido
Liberdade, quero lhe pedir para te namorar
Elevando nosso amor proibido

Quando eu amordaçar
Seus lábios com os meus beijos
Você vai ter muito mais desejos de estar comigo
Do que você tem agora
E você vai querer mais e mais
Tempo para ficarmos juntos
Na areia da praia
Olhando e namorando sob as estrelas
Venha meu anjo perfeito
Me leva pro céu, me deixe nas alturas
Tudo que eu quero
Somente estar com você
Por alguns segundos

Me faz tão bem quando vejo seu sorriso
Ansioso sempre, querendo ver de novo
Risos de uma linda mulher,
Como assim posso ser, obcecado por você
Enquanto penso na vida
Livre, gostaria de ser, sou escravo do que?
Livre, para te beijar, te amar, sentir sua pele suave
Esse seria o elemento perfeito para eu te amar mais e mais.

Os sábios são os que mais buscam a sabedoria. Os tolos pensam tê-la encontrado.

Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para um outro mundo...Se nenhum dos meus prazeres terrenos é capaz de satisfazê-lo, isso não prova que o universo é uma fraude. Provavelmente os prazeres terrenos não têm o propósito de satisfazê-lo, mas somente de despertá-lo, de sugerir a coisa real. Se for assim, tenho de tomar cuidado para, por um lado, jamais desprezar ou ser ingrato em relação a essas bênçãos terrenas, e, por outro jamais confundi-lo com outra coisa, da qual elas não passam de um tipo de cópia, ou eco, ou miragem.

De quantas maneiras um coração pode ser despedaçado e ainda continuar batendo?

Às vezes, dizer a verdade piora as coisas.

Podem prender meu corpo, mas jamais meu pensamento.

Mc Daleste

Nota: Trecho da música "Pensamentos Trancados".

Não quero que acredite em mim. Apenas em meus sentimentos

Chorei três horas, depois dormi dois dias. Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo, porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total. Até a próxima morte, que qualquer nascimento pressagia.

Caio Fernando Abreu
Ovelhas negras

Antes que elas cresçam

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.

Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?

Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.

Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.

Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.

Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.

Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.

No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.

O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.

Que bom olhar pro lado e enxergar você depois de tantas chances perdidas...

Desde que parei de escrever, leio mais do que nunca. Palavras de outras pessoas, não as minhas. Minhas palavras se foram.

Você vai parar o tempo? Tenho medo de que esse momento passe. Isso não vai ter acontecido.

Às vezes a vida é um saco, mas sempre vale a pena viver!

Eu sofri. Meu Deus, como eu sofri com amores errados, ilusões, migalhas, coisas que achava que eram e nunca foram, paixonites enlouquecidas, vontades desesperadas. Eu posso dizer para você com todas as letras do alfabeto eu-sofri-muito. E sim, passou.