Meus 50 anos (o dia chegou): mensagens para mim mesmo
Frases, textos e citações by Josy Maria
21 de novembro
Hoje é meu aniversário.
Mais um ano de vida se completa, e não há como deixar de agradecer. Sou profundamente grata a Deus pela oportunidade de estar aqui, de aprender e crescer, mesmo nos dias mais desafiadores. Sou grata pelas pessoas que lembraram, que celebraram minha existência, seja com palavras, gestos ou apenas um pensamento carinhoso. Embora a gratidão me preencha, reconheço que hoje meu coração está mais silencioso, um pouco mais introspectivo. Talvez seja o cansaço dos dias corridos, talvez seja apenas um daqueles momentos em que a alma pede pausa, para respirar e refletir. Ainda assim, escolho enxergar as bênçãos que me cercam: o amor de quem está ao meu lado, os vínculos que permanecem fortes mesmo à distância, e a chance de recomeçar a cada novo dia. Neste aniversário, desejo a mim mesma mais leveza e coragem para abraçar o que vem pela frente, com fé, esperança e o entendimento de que, mesmo em meio aos dias mais difíceis, a vida é um presente precioso.
Josy Maria 21/11/24
E então...hoje é meu aniversário. Um dia que, para muitos, é algo para celebrar. Mas para mim, é apenas um lembrete cruel do tempo que insiste em passar, mesmo quando eu não quero. Nunca gostei dessa data, mas neste ano ela pesa ainda mais. É o primeiro aniversário depois da separação dos meus pais, o primeiro aniversário em que minha família não existe mais
Não que antes fosse unida de forma verdadeira, mas havia pelo menos a ilusão de um corpo inteiro, um frágil tecido que, mesmo rasgado, ainda conseguia cobrir o vazio. Agora, nem isso. A casa parece maior, mais silenciosa, como se cada parede tivesse aprendido a guardar segredos e ausências de cada um.
Sinto que perdi não apenas a família, mas também a ilusão de que, de alguma forma, eu fazia parte de algo. Hoje, não há bolo que disfarce, não há vela que ilumine. Só há o peso da solidão, o eco das lembranças e a certeza de que aniversários não são feitos para mim.
Me sinto como uma vela acesa em um quarto vazio, há chama, mas não aquece ninguém. O silêncio pesa mais do que qualquer palavra, e a lembrança é como um curativo que não cura nada.
É estranho: dizem que aniversários são sobre vida, mas o que eu sinto é apenas a lembrança de tudo que se quebrou.
Sou feita de pedaços, e neste dia, percebo que até a minha própria história se recusa a ser inteira.
Hoje é meu aniversário, mas algo eu percebi:
os melhores presentes não são feitos para abrir.
Seu olhar tem um brilho difícil de explicar,
daqueles que chegam de repente e fazem a alma acalmar.
Nos seus lindos lábios encontrei a direção,
que faz perder o rumo e encontrar o coração.
Segurar sua mão parece simples, eu sei,
mas nela existe um universo que jamais imaginei.
Cada toque seu acalma, cada gesto faz sonhar,
como se o tempo inteiro quisesse só nos abraçar.
Seu sorriso fez a noite ganhar um novo brilho pra mim,
como se todos os caminhos levassem ao mesmo jardim.
E quando a noite vestir o céu de magia e luar,
guardarei este momento para sempre recordar.
A chuva cai devagar, e eu aqui a te pensar,
sozinho no silêncio, só querendo te encontrar.
Cada gota que escorre parece me lembrar,
que é em você que quero estar.
Hoje não conto os anos nem os momentos que vivi,
só guardo a certeza de que os melhores deles acontecem quando estou perto de ti.
Porque há presentes que o tempo jamais pode levar,
e o mais bonito que ganhei é ter você para abraçar.
Hoje é meu aniversário, mas o espelho se recusou a me devolver meu rosto. Ele reteve meu antigo eu em suas profundezas, como a água retém um sino submerso. Recebi isso como misericórdia. Finalmente, uma superfície que me lisonjeia com semelhança. Ainda assim, algo pairava ali, pálido e inacabado, com a expressão de alguém cuja alma fora entregue ao mamífero errado. Cuja boca é algo ancestral que não dizia nada de forma bela. Um manual de instruções silencioso, pré-mãe, pré-boca, pré-maçã-com-uma-mordida. coreografia que herdei de estrelas que nunca assinaram NDAs, Deus vazou através de mim em pequenos lugares ilegais. o pulso. a garganta. o hematoma sob o pensamento. o café sussurrou você não é real e eu mordi a língua por estar tão convencido. o sangue chegou com seu seu pequeno argumento vermelho. Eu pretendia ascender hoje, mas a roupa suja tinha outros planos. Lá jazia ela, em seu parlamento úmido de versões inacabadas de mim mesma, todas as minhas vestes escuras votando unanimemente contra a transcendência. Dentro de mim, uma delicada engrenagem começou a reportar de Deus a Deus, a apresentar queixas ao divino: encarnação imprópria. sensação excessiva. proximidade demais. portas demais se abrindo para dentro. O céu considerou o caso não urgente. No mercado, uma criança olhou para mim e disse: "Você não é daqui". Não perguntei onde era "aqui". As crianças ainda se lembram dos guardas da fronteira do invisível. Eu estava entre os abacates e os biscoitos sem glúten, sentindo minha antiga tristeza alienígena tentar competir com os preços dos produtos orgânicos. A caixa examinou minha aura duas vezes, recusada por densidade insuficiente. Tentei rezar, mas a oração voltou. Então, curvei-me diante da torneira mais próxima e a chamei de Deus. Ela batizou meu pulso. Santa dos pequenos vazamentos. Padroeira das mulheres encontradas ajoelhadas diante de uma torneira comum, no limite de suas forças. O tempo volta a embriagar-se, cambaleando pelo meu celular, carregando as alucinações de ontem, apagando as velas antes mesmo de as acender. A cada aniversário, ele chega com um bolo numa mão e a lâmina oculta da contagem na outra.
Eu não fui convidado para o meu próprio devir. Isso me pareceu justo. Quem pode estar presente no exato momento em que a semente se divide e a escuridão se torna raiz? Quem pode permanecer presente enquanto o invisível se revela dentro do ser vivo? O algoritmo me confundiu com um anúncio. Cliquei em mim mesma sem querer e agora devo US$ 14,99 por mês por autoconhecimento premium. Ninguém me explicou o custo da consciência. Os termos eram confusos. O período de teste gratuito durou meus trinta anos. O botão de cancelamento estava escondido atrás de uma ferida da infância. E três posts patrocinados. Para regulação do sistema nervoso. Em algum lugar Uma versão paralela de mim está rindo tanto que cai da simulação antes de seu desejo se realizar. Que bom para ela. Vou apagar as velas dela também. Apagarei as velas para cada eu que enterrei sem cerimônia. Para aquela que aprendeu a sorrir com lobos nos lábios. Que entregou sua inocência ao altar errado enquanto o quarto se reorganizava em torno do crime. Para aquela que deixou o mundo tocá-la de forma errada e ainda assim fez brotar um segundo sol sob a cicatriz. Hoje é meu aniversário. O espelho continua em branco. A torneira continua sendo um deus. A roupa suja continua formando um pequeno culto doméstico no canto. E eu estou aqui, seja lá o que "aqui" signifique. Hoje é meu aniversário. O espelho continua em branco. A torneira continua sendo um deus. A roupa suja continua formando um pequeno culto doméstico no canto. E eu estou aqui, seja lá o que "aqui" signifique. Envelhecendo lindamente no paraíso errado, viva o suficiente para perturbar o silêncio, terna o suficiente para não ser poupada de nada, rindo com a boca cheia de velas, fazendo um desejo impossível após o outro, até que toda a maldita simulação se esqueça quem programou quem.
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