Faz de Conta Qu eu Acredito
Naufragamos em um mar de aguas calmas por deixarmos que outros navegassem em um oceano feito somente pra nos dois.
AMOR CORTÊS
Lança sobre as rebaixadas flechas de encantamento.
Inventa o doer, corrobora a persistência da dor.
É a certeza inconsistente dentre amar e padecer.
Tem a mais aguda lealdade de um trovador submisso.
Oh criatura supina!
Que toma a liberdade dos homens com o domínio de suas pomas.
Torna vassalos os mais conservados cernes.
Aprisiona os encéfalos nas ondas de seu corpo molhado.
Não é pequena pra não ser jamais menor.
É inspiração de gênio, fruto da mais perfeita criação.
Dona de todos os encantos corporais.
Envolve com pujança. Oh ser superior.
Marca à servidão com suas unhas grandes.
Prende seus escravos em sua respiração.
Deixa-os presos no aroma de seu cheiro.
Escraviza-os até o esgotamento dos corpos.
Transforma-os em pó com os dotes de seus feitiços.
Oh dona da dor, oh dama do amor.
DESCOBERTA
Junto à banca no cariri
no meu ninho, recanto de cá.
Em um supetão fez cócegas acolá.
Ah... Foi lá!
Foi que fiquei trepidante
com a caneca do ceará de olho em mim.
Noto que me lembrei, que lá na Fortaleza, nossa!
Um tanto bem longe está.
Na sombra ligada da boca da noite,
uma mulher descorada, escassa de pêlos nos braços,
após improvisar uma casca tênue com o borrão do tempo,
imagina precariamente, se acomoda e já está roncando.
Ah que saudades do ceará!
O tirano prefere compelir, a escravidão silenciosa tirá proveito de algo não solicitado, solicitando-se, atribuindo-se bondade, com intuito de encarcerar.
A sua presença é o suficiente pra mim. Não preciso de mais nada. Encostar em seu ombro, e acabar pegando no sono, é maravilhoso, melhor ainda quando escuto a sua voz suave dizendo: “amor, vamos pra cama”. O tempo podia parar quando eu estou com você, ou pelo menos passar um pouco mais devagar. Tudo que estou vivento não tem preço, não há nada que se compare. Não existe nada nessa vida melhor que esta ao seu lado
