Faz de Conta Qu eu Acredito
O SONHO ACABOU
Para o audaz sonho
Pausa eu proponho
Naquelas núpcias
Loucas carícias
... Com sedução!
Porto seguro
O que procuro
Não vou contigo
Eu quero abrigo
... És contramão!
Teu compromisso
Tosco sei disso
Podes deixar
Em teu pensar
... Quanta ilusão!
Não se condene
Teu ser perene
Vai outra encontrar
Para te amar
... Com devoção!
Madalena de Jesus
Sim, tem razão. O senhor deve conhecer os homens melhor que eu, é possível; mas, se esses invejosos estão entre os meus amigos, confesso que prefiro não os conhecer para não ser obrigado a odiá-los.
Eu não escolhi te amar, simplesmente te amei.
simplesmente você me pegou sem me tocar, me encantou sem mesmo me encantar.
Simplesmente me encontrei em você mesmo sem me perder.
Simplesmente você deu um novo motivo pra viver e dar a vida por alguém, e esse alguém é você a quem me refiro, a quem eu amo, a quem eu tanto desejo para viver.
Viver para sempre como eu sempre desejei.
Eu te amo, e te amarei do jeito que você é, do jeito que Deus te fez, amarei os defeitos que você vê em você que por acaso eu não vejo, você e perfeito e é esse uns do motivos que sempre te amarei.
✦ Manifesto de um HeadBanger Inquebrável ✦
(por John Rabello C)
Eu não vou recuar.
Não vou permitir que esse mundo hipócrita tente me rebaixar ou me lançar no abismo do inferno.
Eu vou permanecer firme — no meu lugar — e ninguém vai me tirar daqui.
Curto Rock desde a infância, e desde a adolescência carrego com orgulho o estilo HeadBanger, Metaleiro de alma e de sangue.
Minha identidade é o preto, o som pesado, o grito sincero da guitarra que corta o silêncio do mundo.
Mas o Rock é só a casca: dentro de mim pulsa o amor pelo Blues, pelo Jazz, pela Ópera e pelo conhecimento.
Amo ler, aprender, filosofar, dialogar.
Sou movido pela busca da sabedoria — mas não pra agradar ninguém.
Faço tudo por satisfação própria, por essência, por verdade.
E é justamente isso que incomoda a sociedade medíocre e hipócrita.
Quer vê-los se contorcerem de ódio?
Basta eu publicar um pensamento lúcido, algo com raciocínio lógico, ou simplesmente receber um elogio por saber me expressar bem.
A verdade é que minha existência incomoda quem vive de aparências e carece de alma.
Eu sei muito bem o que é certo — e conheço perfeitamente o que é errado.
Sou espontâneo, autêntico, e não preciso fingir dores, tristezas ou decepções.
Tenho uma personalidade original, uma mente livre, e jamais irei mudar meu estilo.
O ritmo da minha música continuará vivo até os confins do universo.
Não me importo se o meu estilo Black não te agrada.
Não dou a mínima se minha ideologia de vida te perturba.
Não ligo pra tua vida medíocre, teus pensamentos confusos e tuas atitudes preconceituosas.
Neste mundo nefasto, vejo o pior em milhares de pessoas que já esqueceram o valor do respeito e do amor.
Vivem movidas pelo interesse próprio, ignorando tudo que é bom e justo.
“Sou assim, como você me descreve — um roqueiro tenebroso, amante da escuridão...”
Enquanto você tem várias vidas pra cuidar, eu tenho apenas uma.
E às vezes chego a duvidar se tenho mesmo uma vida, neste mundo de malditos hipócritas que me julgam e me empurram pro abismo.
Mas chega.
Eu vou ficar aqui — no meu lugar, de cabeça erguida — e não vou recuar.
DESABAFO
“Ninguém nem nada neste planeta é culpado pelo que não dá certo na minha vida; eu sou meu próprio obstáculo, meu próprio mal.”
Essa frase nasceu do cansaço de quem tenta se erguer há anos e, mesmo assim, sente que tudo desmorona antes de ganhar forma. Por muito tempo, tive a sensação de que o mundo ao meu redor conspirava contra mim. Às vezes parecia algo espiritual, outras vezes soava como uma luta invisível, quase demoníaca, travada em silêncio. O fato é que a ajuda nunca chegou. Nenhuma mão estendida, nenhum anjo, nenhuma presença que dissesse “eu estou aqui”.
Fui ficando à deriva, empurrado para os cantos da vida, aprendendo a aceitar migalhas como se fossem destino. Há anos não sei o que é olhar para minha conta e ver ali o fruto digno do meu suor. O esforço existe, mas o retorno não vem. Com o tempo, isso anestesia. As coisas boas deixam de fazer sentido. O ânimo se apaga. O sorriso vira ensaio.
Hoje sou um ator eficiente: desempenho alegria, força e normalidade sem palco, sem aplausos e sem reconhecimento. Sustento um personagem para sobreviver em meio a amizades raras e rasas e a uma sociedade que se diz justa, mas apodrece na hipocrisia. Não sou vencido — estou exausto. Não sou mau — estou sobrecarregado. E talvez o maior erro tenha sido transformar essa dor em culpa contra mim mesmo.
E ainda nesta noite, sexta-feira, dia 2 de janeiro de 2026, às 23h57, questionar quem rege a minha vida não é sinal de fraqueza. Vejo isso como sinal de consciência. Acredito que, quando alguém começa a se perguntar sobre destino, controle e sentido, essa pessoa já não está dormindo dentro da própria história.
E o problema não é eu ser “o meu próprio mal”.
O meu problema foi ter caminhado longe demais sem testemunhas, sem apoio real, sem pausas para recalibrar o rumo.
Não enxergo o destino como um maestro invisível regendo tudo em silêncio. Para mim, ele se parece mais com um barco mal equipado em mar agitado e tempestuoso. Não é culpa do barco existir — o que falta é leme, mapa e porto.
E, ainda assim, eu sigo flutuando.
Para mim, isso não é pouco. Isso é resistência silenciosa diante de todo o caos da minha vida.
Por favor, fecha teus olhos, me dê a mão. Faz de conta comigo. Deixa eu sentir tua respiração, teu riso, tua voz. A ausência da ausência. Canta baixinho nossa música enquanto caminha. Faça dessas palavras a minha presença. E espera...
Mesmo querendo me soltar
O mundo vai negar, dizendo que eu sou a bruxa
Sei que não é faz de conta
Fogueira tá no sangue
Eu como a torta de maçã
Pra não fazer desfeita
Garfos pro lado e eu me finjo satisfeita
Aprendi bem cedo a ser uma linda princesa
Na mesa, cumprindo ordens de etiqueta
Meu Cavalo Barbicacho
Eu sei que muitos não entendem
Mas aqui hei de contá-lo
O que faz o gaúcho
Gostar tanto do cavalo
Essas cosa vem de guri
Criado nas camperiada
Arrastando alpargata
Bombachita arremangada
Vem também do ensinamento
Da Mãe e do velho pai
Das cosa da fronteira
Da Argentina, Uruguai
Mas pra mais claro entender
Me busco longe a memória
Pra contar de um cavalo
Que fez parte da minha história
Eu ainda muito cedo
Meu pai ainda em vida
Tinha ofício de peão
Eu acompanhava na lida
Nasceu um dia na estância
Que criamo feito guacho
A mãe parindo morreu
Pus o nome de barbicacho
Onde eu ia me seguia
No rancho, mangueira galpão
E com ele eu me entendia
Ele entendia meu coração
Ja um pouco crecido
Me deixava eu montar
Ia com ele pra escola
Me esperava até eu soltar
E quando voltava pras casa
Nós vinnha cantando facero
Dos amigo que eu tinha
Ele era o primeiro
O tempo foi passando
E nos crescendo na idade
E quanto mais passava o tempo
Mais crecia a amizade
Acabei domando de baixo
Mas tinha que enfrena
Pedi pro peão da estância
Cuida ele pra não judia
Nem bocal precisou
Aceitou o freio solito
Eu fui lidando com ele
Dando função despacito
Meu pai ficou muito enfermo
Se fumo la pra cidade
E meu cavalo ficou
Com ele minha saudade
Depois na faculdade
Fizeram eu estudar
E lembrava do meu cavalo
Que jurava um dia buscar
Voltei ainda umas vezes
Meu amigo visitar
Tinham largado pra várzea
Só de longe pude olhar
Naquele ano meu pai
Que já vinha adoentado
Nao aguentou o tirão
E sei foi pro outro lado
E junto com meus estudo
Eu tive que trabalhar
Pra ajudar nas despesas
E minha mãe sustentar
E o grande dia chegou
Pra vida não ser mais dura
Um doutor veterinário
Era minha formatura
Agora ja formado
Com a profissão eu consigo
Podia cumprir a promessa
De buscar meu velho a amigo
Já tinha tudo ajustado
Até cocheira construi
Só faltava ir buscar
Meu amigo de guri
Levantei naquele dia
Radiante em felicidade
E disse pra minha mãe
Vamos buscar ele pra cidade.
Chegamo na velha estância
Onde meu pai fora peão
E vi minha mãe chorando
De tanta recordação
Pedi licença na entrada
Pra falar com o capataz
De pronto nos recebeu
Podem entrar no más
Depois de um dedo de proza
Falei da minha razão
De voltar na velha estância
Entrar naquele galpão
Eu vim buscar meu cavalo
Meu amigo nunca esqueçi
E hoje ele vai comigo
Conforme eu prometi
O capataz me olhou
Mirando meio de baixo
Eu de pronto! peça um peão...
Pra trazer o barbicacho
E num instante silente
Me pedindo pra eu sentar
Me perdoe, a fraqueza
Mas não podes mais levar
E sem meio entender
Retruquei inconformado
O cavalo é da minha posse
A mim me foi regalado
Com meu pai ainda em vida
Aqui criei ele guacho
Todos sabem da história
Minha e do barbicacho
E já com os olhos aguado
No meu ombro a mão estendeu
Lamento mas a verdade
O teu cavalo morreu
Mas como, de que maneira?
A mim ninguem avisou
Sabiam que eu voltaria
E nem tanto tempo passou
E o capataz rude homem
Me deu a grande lição
O tempo pra alguns e largo
Pra outros se conta na mão
A saudade, adoece
Quando se tem a distância
O tempo lá da cidade
Não é o mesmo da estância
As vezes do fundo do campo
Ele vinha e relinchava
Depois voltava a passo
E mais um tempo esperava
Até que um dia um peão
Notou que não vinha mais
E foi recorrer o campo
Aos cinco meses atrás
Encontrou ele já triste
Jogado junto ao alambrado
Morreu no outro dia
Na várzea foi enterrado
Num pé de curunilha
Deixamos a marcação
Podes ir até lá
Fazer uma oração
Quem sabe ele aguarda
De ti uma despedida
E te espere mais um pouco
No outro lado da vida
Meu coração se partiu
Sem querer acreditar
Deixei meu maior amigo
Morrer de me esperar
Naquela várzea sem fim
Me ajoelhei no campo largo
Pedi perdão ao amigo
Que até hoje saudade trago
E assim fica explicado
Nessa payada pra contá-lo
Quem é gaúcho entende
A amizade um cavalo.
Renato Jaguarão.
Quando eu lembro que ontem já faz parte do meu passado, eu começo a me dar conta do quanto o passado me leva pessoas boas, do quanto as lembranças que dele permanecem me fazem sentir uma saudade enorme, até diria que dói um pouco.
Me passa na cabeça cada dia, cada plano, cada coisa que eu fiz, detalhes que prometi, sentimentos que tive e permanecem. E há quem diga que o tempo cura tudo, eu não concordo. O tempo jamais irá curar o que eu passei, as pessoas que eu conheci, os sentimentos que eu tive. São coisas pequenas que ficam dentro de mim, algumas me fazendo sorrir, algumas me roubando lágrimas por terem partidos. O tempo jamais irá curar a dor de uma perda, que só de lembrar que nunca mais irei ver a pessoa, já da vontade de chorar, da vontade de gritar, se espernear e fazer o tempo voltar só com a força do que estou sentindo agora. Mas não tem como, pois tudo precisa fazer parte de um passado.
Então me dou conta que o presente, as pessoas que atualmente estão comigo, amanhã podem fazer parte do passado, e então me dou conta que o passado é o maior tempo da nossa vida -entre passado,futuro,presente-, e isso tortura, e me faz dar um valor ainda maior, para tudo e todos que já fizeram parte de mim.
Faz de conta que eu sou a flor, e você o beija-flor.
Então:
Vem pousar com sua sagacidade em mim, meu beija-flor.
Vem ser meu pássaro de amor.
É quando você me desmonta
Que eu saio do meu faz de conta
E volto pro meu dia a dia
Meu dia a dia
E quando você me dispara
Naquele instante tudo para
Só pra você poder ver
Faz de conta que eu te conheço bem
Quero algum atalho pra te convencer
Que a gente se combina, só você não vê
Mas eu vejo, eu vejo, ah
Diz pra mim o que eu quero escutar
Só você sabe adivinhar
Meus desejos secretos
Ei
Faz de conta que não percebi
Que você não esteve aqui
Com teu jeito singelo
sobrevivente eu sou nesta terra de faz de conta que os homens inventaram, e nem imaginaram que precisa tão pouco pra ser feliz
A diferença entre nós é que eu vejo o mundo da forma que ele é, enquanto você brinca de faz de conta negando a realidade.
"Eu só preciso entender"
(Valdeir Souza)
Eu não prefiro o faz de conta,
Eu só necessitava entender:
Se a vida era só aquilo mesmo,
Ou existia algo que eu precisava saber.
São tantas coisas, são minúcias,
Eu passaria minha vida tentando compreender.
O que leva os homens extingarem guerras,
Por fama, desejo, e poder.
Será que existe algo?
Algo que ainda não consigo ver?
Algo que conduza o homem a outra superfície,
Superfície de amor, de bondade, e de prazer.
Se isto é impossível, não importa,
Permanecer sentado não irá resolver!
Se existe uma saída para o ser
humano, bora lá,
Quero estar presente quando
isto acontecer.
Eu tive medo de tocar
Medo de esquecer como dói
Medo que fosse verdade
Um faz de conta dentro de outro
Várias faces e talvez a real nem saiba que ainda vive
Refugiada em meio a fadas, ainda pura porém sufocada, uma criança querendo brincar presa em uma jaula ao medo de não superar.
