Faz de Conta Qu eu Acredito
Dizem que o amor é cego. É nada! Cego mesmo é a paixão, que deixa a gente sem chão, faz doer, descontrola e ainda domina tudo quanto é sentido. Perto disso, o amor sabe o que faz.
Apenas um gole
Não bebo um gole. Nem chego perto do vidro.
Tenho medo do que o vinho faz com a minha cabeça.
O álcool solta as correntes que eu levei meses para prender.
Se eu beber, eu perco a vergonha.
Se eu beber, meus pés me levam sozinhos para a sua porta.
Eu viro bicho carente, volto para o seu colo pedindo carinho,
como um cachorro que apanha, mas ainda
abana o rabo para o dono.
Todo mundo bebe para rir, para celebrar, para esquecer.
Eu não. Se eu bebo, eu lembro.
Eu sinto uma saudade que não cabe no peito.
Por isso, continuo com a garganta seca.
É melhor morrer de sede do que morrer de vergonha
correndo atrás de quem não me quer mais.
Busque algo simples que traz satisfação, em tudo que faz, sem o arrependimento de querer ser melhor.
Papai
Papai,
por que o senhor faz isso?
Com suas botas negras, ruidosas,
marchando dentro da minha cabeça,
eu vivi à sombra do seu pé
por vinte e dois anos —
pálido, pobre,
quase sem ar.
Eu mal respirava
para não provocar sua ira.
Papai,
eu morri jovem.
Morri antes do tempo.
Não de doença —
mas de ausência.
Pesado como mármore,
carreguei um saco cheio de mágoas,
um banquete de argila na boca,
um espectro de louça suja na memória,
e uma cabeça rachada
pelos seus gritos
e pelo medo.
Eu rezava por redenção.
Mamãe, com o rosário trêmulo,
batia a cadeira no chão
como se pudesse expulsar o demônio
que o senhor chamava de filho.
Mas eram suas palavras, papai,
que doíam mais que seus punhos.
Punhos na mesa.
Punhos na guerra.
Guerras, guerras e mais guerras —
e o nome da cidade era comum demais
para justificar tanto ódio.
Meus amigos invejavam o senhor.
Eu invejava os pais deles.
Nunca fui suficiente.
Nunca firmei o pé na sua terra.
Minha língua apodreceu presa
na armadilha da minha mandíbula.
Nosso amor —
arame farpado.
Eu, eu, eu, eu —
ecoando num quarto sem portas.
Eu mal respirava
para não provocar sua ira.
Papai,
eu pensei que todos os homens
fossem feitos da sua fúria.
Que todo idioma
nascesse como motor engasgado
e palavra obscena.
O senhor me tratava
como se eu fosse o erro da casa.
Comecei a falar como estrangeiro.
A viver como intruso.
A existir como culpa.
Papai, eu fui embora.
Mas esta carta
não é despedida.
É uma autópsia.
O livro negro terminou.
Segue o diário
de um menino
que só queria ser amado.
Fui expulso com asas queimadas,
um anjo caído
na sarjeta da própria família.
Três anos sem vocês.
Três anos tentando arrancar
as botas da minha memória.
Mas o senhor ainda dança,
pisoteia,
marcha dentro do meu peito.
Há uma estaca cravada
no meu coração —
negro de medo,
branco de silêncio.
Eles nunca souberam quem eu era.
Chamaram-me monstro
porque ousei sangrar.
Papai…
o senhor pode descansar agora.
Chega das botas.
Chega do peso.
Chega do medo.
Mas, se ainda houver
um resto de homem
sob esse couro e essa fúria —
me ame.
Porque eu ainda sou
o garoto assustado
que treme
ao som dos seus passos.
“Quando a dor me faz esquecer de agradecer, a vida me ensina — em silêncio — que há quem lute batalhas ainda mais duras, e isso desperta humildade no coração.”
Meio-termo não aquece, não ferve e tão pouco faz transbordar. Isso vai de amizades a amores. E não adianta jogar lenha na fogueira não, não adianta desperdiçar combustível com quem não aquece o corpo, ferve o ser e faz transbordar a alma.
Muitas vezes nos tomam a alegria .
Mas ela é nossa, faz parte de nós, temos direito
de tê-la.
Sendo assim, não deixe que ninguém tire-a de você,
defenda-a, defenda-se, com toda força do teu coração.
Flávia Abib
Toda dificuldade dói, toda dificuldade "esfola", toda dificuldade faz chorar, toda dificuldade faz cair, mas somente com estas dificuldade nós crescemos e aprendemos o verdadeiro valor da vida!
Pensar não é o mesmo que sonhar. Pensar nos faz parar e analisar. Pensar nos faz chorar e recordar. Nem sempre é fácil, mas se faz necessário olhar para ontem, ver o hoje e chorar por não ter conseguido te amar, ou, quem sabe, ter até amado, porém sozinho, sem você ao menos ter me olhado ou abraçado.
Uma estatueta se faz a partir de barro, argila, gesso, resina, mármore, granito, cobre, bronze, prata ou ouro. A medida que se vai subindo melhora.
Um autômato se faz a partir do ferro, zinco, alumínio, chumbo, aço, titânio, diamante, rubi, topázio e esmeralda. A peso que ae vai subindo melhora.
A beira da consciência
A engrenagem que nos move não faz barulho suficiente para nos alarmar,
apenas o estalo fino do vidro sob os pés. Trocamos o silêncio das florestas pelo ruído confortável das certezas prontas, e depois perguntamos por que o mundo anda ansioso. Somos arquitetos de urgências inúteis, especialistas em apontar o dedo com a mão que ainda segura a faca invisível do privilégio. Queremos pureza, mas só até onde não desorganize nossos hábitos; queremos justiça, mas sem abrir mão do trono minúsculo que defendemos no cotidiano. Há um teatro permanente entre o que postamos e o que praticamos - uma vitrine de virtudes iluminada por dentro e vazia por trás. E, no fundo, talvez o que mais nos assuste não seja o colapso das estruturas, mas a possibilidade de encarar o espelho sem filtro algum e perceber que o sistema que criticamos respira através de nós. O mundo não está apenas à beira de uma crise, ele está à beira de uma consciência. E consciência, quando desperta, não é confortável. É brutal no sentido mais cru: desmonta, expõe, tira a roupa das ilusões e deixa o ser humano nu diante do que escolheu se tornar.
Se a felicidade do outro te faz feliz, você está no caminho certo...
Agora se te incomoda reveja seus conceitos.
Seja sua própria musa
Seja sua própria inspiração
Você não precisa da aprovação de ninguém para fazer a diferença e impactar o mundo
