Faz de Conta Qu eu Acredito
ALMA RELUZENTE
Pensava ser eu uma alma reluzente.
Como tudo é tão diferente do pensado,
Quando num ápice repente
Recebo, vindo voando, ó gente!
Num escangalhado parapente,
Um anjo do Altíssimo Céu navegado,
Que me diz:
- Rapaz infeliz, sem alma reluzente,
Nunca te eleves, tem calma!
Para teres lustrosa alma,
Primeiro terás de ser gente
De construção hercúlea diferente,
Onde, de facto, o sonho habita.
E só depois,
Muito exigente,
É que a tua alma acende e grita!
(Carlos De Castro, in há Um Livro Por Escrever, em 15-06-2023)
O LAR DO SOFÁ VELHO
Não chores meu velho
Como eu, a ficar a sê-lo.
Nunca pensaste como ainda penso,
Vá, pensa:
Porque o pensar é de graça,
Afinal o que nos resta.
Já não é a tua casa,
O teu cheiro
E os odores por ti criados
Naquela casita perto do mar
Onde gaivotas te iam beijar
Pela manhã, famintas,
Do teu dar
E abrigo procurar
Nas tardes fortes de tempestade.
O teu lar, agora, é o teu penar...
Outros cheiros,
Gentes que nem sempre gostam de ti,
Pelo que vi, senti e ouvi.
E então fugi, fugi dali
Tão amargurado.
Que triste, é do homem fado
Deixado num sofá velho
A tremer de medo,
Naquele cubículo sem afetos
Onde reinam os dejetos,
Muita fome amordaçada
E mais...
Aquele horrível pecado
De os não deixar morrer
Na sua velhinha cama.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 27-06-2023)
OUTONO SEM CASA
Toda a vida eu sonhei
Construir uma casinha
Como só eu sei,
Numa bela arvorezinha
E fazer dela o meu trono
No agora vindo outono.
Que ilusão esta a minha,
Ó sonho louco e fugaz!
Nem árvore nem arvorezinha
Ou casa ou minha casinha,
Utopias que a vida traz.
Na montanha, tudo ardeu,
Tudo queimou e até eu
Como pássaro que fica sem asa,
Como cão que fica sem dono,
Ficarei sem aquela casa
Que quis construir neste outono.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 24-09-2023)
SE OS MEUS OLHOS
Ai, se os meus olhos dissessem
O que viram quando eu via,
As coisas sacras e profanas
Das procissões das vaidades
E cortejos de perversidades…
Nos convívios só de apelido,
De carneirinhos em sentido
À espera da ordem mestra
De chefes, gente que não presta,
Sem carácter nem humildade.
Era assim na mocidade
E hoje também não falha,
Nas feirinhas desta canalha
Velha, sem idoneidade.
Ai, se os meus olhos dissessem
O que viram quando eu via,
Outro galo então cantaria
Mesmo que mordaças houvessem.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-10-2023)
A pátria minha, é aquela que eu invento nos meus sonhos.
Daí me chamarem sonhador louco de uma pátria irreal.
DIVAGAÇÕES
Eu já nem sei o que sou,
Porque vim e aqui estou,
Para onde vou
Neste barco que me castrou
Sem remos de princípio ao fim.
Só sei que não vim por mim...
Se viesse, não estaria aqui,
Neste degredo,
De vos revelar o segredo
De uma vida que vivi,
Sempre na escuridão do medo.
E é por isso que vou
Com meu pincel e apenas,
Borrar um quadro de penas
Na tela que Deus traçou.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 21-10-2023)
NÃO
Não fui eu que me inventei.
Nem projeto,
Nem desenho,
Apenas mais um da grei,
Pelo que sei,
Um ser de certo dialeto
E, já agora, convenho:
Simples, fiel, muito reto.
Fui na pobreza criado
E nunca algoz de ninguém
E muito menos bastardo,
Quer de pai ou de uma mãe.
Sou apenas o resultado
De um amor de vida a dois.
Com a minha voz se canta o fado,
Com a minha vara eu toco os bois.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-11-2023)
DEFECAÇÕES DE OUTRORA E DE AGORA
Eu era um poeta
Pateta
Sem saber
Como defecar a poesia.
Agora, que julgo saber,
Escrevo sem ser poeta
Só de ver e ler
Como escrevem a poesia,
Defecada,
Com cheiro
Por inteiro,
A nada.
Salvam-se alguns da fornada.
Quase como fúnebre elegia,
A mim, só me apetece dizer:
Ó arte da fantasia
Do pensar e escrever,
Minha irmã poesia,
Diz-me: se és tudo, ou nada!
(Carlos de Castro, in Há um Livro Triste Por Escrever, em 23-09-2024)
Jeremias 17:5 diz: "Maldito o homem que confia noutro homem... ", mas eu recomendo que você confie, pelo menos uma meia de dúzia de vezes até você ver por si só que não é só teoria, na prática também não vale a pena confiar, ao menos não cegamente.
Os números para mim, são como as pessoas. Dos que eu gosto, eu me aproximo, fico íntimo e tenho estreita amizade. Os que não me sinto muito confortável, ou acho meio complicado, eu respeito, não me aproximo muito e sei que são perfeitos, mas não são pra mim.
Se eu tiver sucesso e meus filhos não o tiverem, então eu não o tive.
Se meus filhos tiverem sucesso, então eu já terei tido todo sucesso que um dia sonhei.
"Eu sou o silêncio entre o trovão e a flor. A memória da estrela e o útero do futuro."
Essa poesia de 2 linhas, nasceu da combinação poética-filosófica com minhas reflexões.
Carreguei-à de metáforas fortes:
"Silêncio entre o trovão e a flor" sugere o equilíbrio entre força e delicadeza — entre caos e beleza.
"Memória da estrela" evoca a origem cósmica da Terra, feita do pó de estrelas.
"Útero do futuro" simboliza a Terra como o ventre da vida, onde tudo nasce e renasce.
Assim, não vou esquecer o que pensei quando à ela dei a luz.
No passado eu esperava para o futuro um Brasil próspero, sem corrupção, seguro, sem pobreza, sem desemprego, com acesso de todos à educação de qualidade, ao lazer e a um ótimo atendimento no setor da saúde.
Agora, estão fazendo a mesma pergunta que me era feita no passado.
Continuo desejando o Brasil que esperava no passado para o presente e não apenas para o futuro.
Não é porquê você não entende algo que esse algo é mentira.
Eu garanto que se nunca ninguém tivesse se dedicado a estudar o porquê das coisas caírem, elas continuariam caindo mesmo assim.
Você é a minha escolha. E eu nunca acertei tanto como quando eu disse “sim”. E eu nunca quis tanto continuar dizendo “sim” todos os dias, para a mesma pessoa, o resto da minha vida.
Talvez eu só tenha perdido as esperanças e a vontade de viver, talvez eu so esteja magoado, em algum lugar perdi todos meus sonhos, toda aquela euforia que sentia, isso me corrói, me sinto fraco, sem vida, sem motivos para continuar, meu barco está prestes a naufragar, entrei nesta emboscada sem se quer saber nadar, não quero fazer perder seu tempo se preocupando comigo, afinal sou apenas mais um confuso, exausto que apareceu em sua vida, meus motivos para continuar? Já nem sei mais, apenas vivo dia após dia esperando q aconteça, mas todos sabemos que estou cada dia mais próximo do meu próprio fim.
