Faz de Conta Qu eu Acredito
Não me julgue pelo que seus olhos fracos alcançam. Aparência é ilusão, e eu só mostro o que decido. Você vê a superfície; eu carrego profundidade. Sou feito de cicatrizes que não pedem aplauso, de batalhas travadas no silêncio e de uma fé que me mantém em pé quando tudo tenta me quebrar. Não sou perfeito — sou humano. E quem mede valor pelo espelho nunca vai entender que a verdadeira força mora na alma, não no rosto.
Pensei em desistir várias vezes, mas nunca disse isso em voz alta. Foi assim que eu concluí o Curso de Formação de Cabos.
Eu aprendi que tenho que começar a fazer o que precisa ser feito sem esperar nada em troca. Nem compreensão, nem recompensa, aplauso, tapinha nas costas, troféu ou medalha. Quem pensa como forças especiais, precisa dominar a necessidade de aprovação.
KAMORRA
Eu não amo meu sobrenome por vaidade.#11;
Eu amo porque ele me cobra.
E eu decidi sustentar.
Nesse nome eu coloquei meus valores.#11; Coloquei minha fé.#11;
Coloquei minha disciplina.#11;
Coloquei as noites em silêncio que ninguém viu.#11;
Coloquei a resistência de não me vender por afeto barato.
Kamorra, para mim, não é som.#11;
É postura.
Quando eu digo meu nome, eu lembro do homem que eu preciso ser para não manchá-lo.#11;
Não é sobre ego.#11;
É sobre responsabilidade.
Existem homens que carregam um sobrenome.#11;
E existem homens que transformam o sobrenome em bandeira.
Eu escolhi transformar.
Se um dia perguntarem quem foi Kamorra,#11; eu quero que a resposta não esteja no registro civil,#11; mas no caráter.
Porque nome forte não nasce forte.#11; Ele é honrado todos os dias.
— Marcos Kamorra#11; (Filosofia Kamorrista)
Meu nome não é só identidade, é cobrança.
Ele me lembra, todos os dias, que eu não posso viver de qualquer jeito.
Que minhas atitudes precisam estar à altura daquilo que eu digo ser.
Eu me ajoelho apenas diante de Deus. Ser pequeno perante Ele não significa ser pequeno perante ninguém mais.
Não consigo conversar sobre política de maneira saudável quando eu enxergo que a pessoa só está olhando pro próprio umbigo.
Esse é o resultado de "jogar dentro das quatro linhas". Eu sempre disse: não se negocia com esse tipo de gente.
Não intitule a minha lealdade como "idolatria" e nem de "ídolo" a quem eu sou leal. Pois toda minha luta se baseia em um viés que eu o defenderei de uma única maneira... Guerreando.
Me jogaram no inferno achando que eu ia morrer o que não sabiam é que seria lá que eu aprenderia a viver
Vou sair e, quem sabe, eu fique!
Repartindo o inseparável só restarão as partes partidas desta espera.
Vivo intensamente o agora...talvez, por isso, eu me permita sorrir e, sobretudo, sofrer aquilo que surge como resultado da vida ida.
A vida não nos oferece prorrogação.
Prefiro o conflito ao confronto.
No primeiro, no mínimo, eu cresço... no segundo, elimino ou sou eliminado.
Você precisava de luvas, e eu não as tinha para te dar.
Tentei aquecê-las às pressas, aproximei demais do fogo… e elas queimaram.
E, enquanto queimavam, queimava também a minha esperança
de aquecer suas mãos nos seus últimos dias.
Era tudo o que eu mais queria.
Ali, a minha presença era a única coisa que ainda restava.
E, ainda assim… eu tive que partir.
Então chegou um homem, desses raros, quase silenciosos,
elegante de um jeito que não se explica.
Por um instante, ele parecia um Deus.
Ele te ofereceu luvas novas,
ao ver o meu pranto,
minhas mãos tentando, em vão,
salvar o que já se perdia.
Havia algo naquele gesto…
como se você estivesse sendo reconhecido.
Como se, finalmente, estivesse sendo cuidado.
Eu te deixei.
E você partiu. Mas, antes, me ligou ,
só para que eu te olhasse,
só para que eu te ouvisse
pela última vez.
Foi cruel e bom.
Não sei pôr em palavras o que senti:
amor, raiva, tristeza, injustiça.
Eu só queria te ter por mais tempo.
E, ali, nós soubemos, sem dizer nada.
