Faz de Conta Qu eu Acredito
"Deus não é uma força unidimensional. Ele é o 'Eu Sou', o Ser autoexistente e eterno."
Douglas Santos - O Deus Silencioso e a Obsessão do Homem por Atenção
Se eu conseguisse ao menos mostrar-te a forma como a minha mente te vê por meio dos meus olhos, talvez eu não precisasse de fazer recurso desnecessário ao mar de palavras que busco a todo o momento para que percebas o que sinto por ti.
“O amor não tem rosto”, eu ouvi.
Peguei todas minhas palavras e guardei.
Depois peguei meus pensamentos,
Aqueles dispersos pensamentos e juntei um por um como
retalhos de uma emoção.
O amor não tem rosto.
Talvez por isso tenha a melhor visão,
O melhor cheiro,
O melhor jeito,
O mais terno e ousado sentir.
— Mas como o amor não tem rosto?
Fecha a boca e fecha os olhos.
O amor não tem rosto.
E eu continuei a ver você na minha visão.
Eu tenho os olhos de ver a vida nascer em cada manhã com cheiro de bogari e casa limpa,
As vezes é preciso pisar firme nas crueldade dos outros, de todos seus sons crueis. Mas definitivamente, é imperdoável não perdoar.
As vezes, eu preciso apenas dançar uma música como a Dama de vermelho, rasgar o rascunho da letra e escrever outro verso. Eu escrevi.
E há quem diga que o que escrevo não tem nada haver comigo. Lina Veira
Lina Veira
Poesias minhas
O ofício do sofrimento
Há quem trabalhe com ferro,
há quem negocie o trigo do dia —
eu assino recibos invisíveis
de uma dor que não tem firma aberta.
Bato ponto no escuro.
Pontual, o peito comparece
antes mesmo de mim.
Ele conhece o caminho.
Minha mesa é feita de memórias,
minha ferramenta, o silêncio.
Com ela aparo excessos de esperança,
lixo fino que insiste em brotar.
Aprendi técnicas:
respirar enquanto pesa,
sorrir enquanto rasga,
responder “tudo bem” com letra legível.
O sofrimento exige método.
Não aceita amadores —
cobra constância,
cobra presença integral.
Nos intervalos, tento descanso,
mas ele confere meus passos
como chefe antigo
que mora dentro da casa.
À noite arquivo o dia
em gavetas que nunca fecham.
O eco continua trabalhando
depois que o corpo desliga.
E ainda assim,
no rodapé de cada jornada,
há uma cláusula pequena:
quem suporta o peso
aprende secretamente
a reconhecer o leve.
"Como eu poderia ser a mesma depois tudo que eu passei?
Seria um insulto à minha dignidade e à mulher fantástica que resgatei."
Eu me recuso a ser diferente de mim mesmo, sou como sou e amo ser eu mesmo e sempre serei eu mesmo, ninguém além de mim.
Levei anos para me aceitar como sou, mas agora, amo tudo isso.
Se os outros não gostarem, que assim seja.
Eu..., eu sou um raio de sol, uma gota de orvalho, eu..., eu sou um rio, um grão de areia, uma praia, um mar, um mar de emoções, eu..., eu sou uma letra, uma palavra, uma palavra ainda por inventar, eu..., eu sou a luta, a luta que não acaba, eu..., eu sou amor, amor que banha um coração.
Eu vivo para amar, lutar, sou coração quebrado..., por ti, por mim, por ilusões, eu.... Eu sou...
Eu vivo...
Sou brisa que bate em teu rosto em dias de lágrimas e as seco.
Eu..., eu luto, eu sô quero viver, viver e amar...
Viver e amar, nada mais simples.
Porque é que te vivi?
E deixei de ser quem eu era
Para nunca mais o poder ser?
É quando eu acho que tenho tudo sob controlo
Que controlar-me é suficiente
Que me perco
Acho que esse é o problema do fogo
Tu não te queimas a menos que acredites que ele não te vai magoar
Quando te aproximas o calor é conforto
Mas só quando entras é que percebes quе também ardes
Ardemos os dois
Será quе ele percebe que me queima?
Será que é só a mim?
Será que também sofre por não saber o porquê da cinza?
São estas dúvidas que me agarram a mão
Onde acaba ele e começo eu
Quando é que deixa de arder?
Se arde espera que cure
Mas mesmo o que cura deixa cicatrizes
Eu não tenho ar para todas neste ato.
Eu deixei de acreditar em conto de fadas mas não foi por não tentar, foi por falta de coisas concretas de sonhos realizados. Acho que o meu castelo desabou sobre minha cabeça e de princesa me transformei em bruxa muito rápido, pois as pessoas me julgaram, me recriaram, inventaram um nova história e uma nova personagem, na qual eu mesma fui enfeitiçada, talvez a palavra certa seja amaldiçoada, mas eu sempre dei meu jeito, sempre encontrei saídas, fui crescendo me adaptando a novos lugares criando estabilidade, fui enfrentando situações que julguei serem muito pesadas para mim, fui fazendo escolhas e seguindo caminhos que talvez não me fariam chegar a lugar algum, mas não foi por falta de tentar, e não importa se eu não sou uma princesa ou uma garota perfeita, eu sou feliz me arriscando, errando, me iludindo me enganando, porque com isso eu descubro coisas sobre mim que um espelho não SERIA CAPAZ de me dizer.
E eu me perdi; Na imensidão do teu abraço, na sinceridade dos teus lábios, no brilho do teu olhar, na proteção que tem lhe amar […]
Não é que eu não sinta sua falta, mas aprendi a viver sem você. Aprendi que nem tudo que queremos é o que nos faz bem.
Só eu sei o quanto a minha mente se inflamava de ideias, quando consumia suas ideias. Brotava em mim um floral de reflexões que me faziam viajar em autores conhecidos e chegar aos novos desconhecidos e fortalecer minhas rédeas de ideias..
Como é bom suas ideias postas em letras no papel branco.
Eu tive que perdoar até oque não me foi feito,
Para que eu pudesse "SOBREVIVER"
eu tive que te perdoar pela dor que me foi causada, mas fui eu quem "ESCOLHI" AMAR você,
Eu busquei sentimentos em vaso vazio, e ele se quebrou, ainda não sei se junto os cacos ou "VIVO" com o pouco da dignidade que me sobrou
Recomeçar é cansativo, buscar amor em pessoas rasas não é um bom "CAMINHO"
Mas como posso eu saber ? Sem me envolver.
Apenas seja feliz e aceite aquilo que "O CRIADOR DEU A VOCÊ"
Eu realmente não entendo por que as pessoas gostam tanto de falar da vida dos outros, em vez de cuidar da sua própria vida.
Quarto sem testemunhas
Amar foi escrever cartas
sem endereço de volta.
Eu as deixava na mesa do mundo
e o mundo nunca respondeu.
Meu nome não ecoa em ninguém —
é só um som que gasto
para provar que ainda existo
quando falo sozinho.
Os dias passam como móveis velhos,
ocupam espaço,
não contam histórias.
O relógio trabalha mais do que eu.
Não tenho sonhos:
apenas intervalos de sono.
Não tenho amigos:
apenas pessoas que passam
sem notar que passei também.
Há uma cama que me reconhece,
sabe meu peso,
minha forma de desistir da noite
sem fazer barulho.
Tenho medo não do fim,
mas do apagamento —
de virar objeto entre objetos,
lembrança nunca inaugurada.
Amar sozinho
é aprender a diminuir
até caber no canto da própria vida.
Ainda assim,
às vezes a manhã insiste
em abrir a janela
sem pedir licença.
E quando a luz entra,
mesmo sem promessa,
ela prova baixinho
que nem tudo desistiu de mim.
