Faz de Conta Qu eu Acredito
Narciso
Quando ele precisa, ele me procura.
Quando percebe que eu posso seguir em frente, aparece só para marcar território.
Ele pode tudo. Eu, quase nada.
Está sempre mais cansado, sempre trabalha mais, sempre acha que a vida dele é mais difícil que a de qualquer outro.
Tudo o que é dele parece maior, mais pesado, mais importante.
Diz que não tem amigos, mas vez ou outra está com eles.
Reclama da solidão, mas rejeita a presença de quem quer cuidar, somar, estar de verdade.
No fundo, não é sobre cansaço.
É sobre controle.
Sobre manter alguém disponível sem assumir responsabilidade.
Sobre querer acolhimento sem abrir espaço.
Sobre não estar sozinho, mas também não permitir ser acompanhado.
E isso cansa.
Porque quem fica sempre à disposição também se esgota.
Foi nesse contexto que eu nasci.
Dois dos meus irmãos passaram a rodar a cidade de Olinda, indo de casa em casa, durante toda a vida. Eu sempre soube da existência deles, mas nunca os conheci pessoalmente, porque a minha avó não permitia que eu tivesse contato. Eu era impedido de conviver com eles.
Fui criado dentro de uma casa fechada. Não tinha acesso à rua, não tinha acesso à convivência. Era assim a cultura da época. Uma espécie de prisão. Muitas vezes eu ficava trancado dentro de um quarto escuro, principalmente por eu ser um menino muito elétrico.
Os castigos eram constantes. Começavam em casa e continuavam na escola. Muitos deles envolviam ficar de joelhos sobre caroços de feijão. Foram muitas violências físicas e emocionais, que hoje eu reconheço como torturas.
Eu só vim conhecer o que era infância perto dos meus 15 anos, quando fui para o Rio de Janeiro. Nesse período, minha própria avó já não me aguentava mais. Eu havia entrado em um processo de rebeldia que fugia completamente ao controle que ela tentava exercer sobre mim, inclusive por meio da religião.
O primeiro livro que eu li na vida, e do qual jamais vou esquecer, foi “A Verdade que Conduz à Vida Eterna”. A partir dali, comecei a me questionar profundamente. Que Deus é esse que permite que crianças sejam mantidas trancadas, sofrendo, enquanto adultos observam calados? Que Deus é esse que convive com hipocrisia e com abusos, inclusive abusos sexuais contra crianças, praticados por pessoas próximas, muitas vezes ligadas ao ambiente religioso, em quem minha avó confiava cegamente?
Nada disso se apaga. Não adianta tentar suavizar. Nada muda a dor que senti naquele momento e a dor que ainda sinto hoje. É por isso que, em muitos momentos da minha vida, eu só consegui dizer: mundo, afasta de mim esse cálice.
Dando continuidade, meu irmão Joel, o mais novo, que tinha apenas 40 dias de nascido quando ficou trancado naquela casa, foi criado pela minha avó paterna, mãe do meu pai. Eu fui criado pela minha avó materna, mãe da minha mãe. Cada um de nós seguiu um caminho separado.
Eu só fui entender, de fato, o que era família por volta dos 15 anos. Foi quando saí de Olinda e fui para o Rio de Janeiro. Lá encontrei uma estrutura familiar diferente, já formada. Foi ali que ganhei mais dois irmãos, do segundo e verdadeiro casamento da minha mãe.
Esse homem, companheiro da minha mãe até os últimos dias da vida dela, tem todo o meu respeito. Ele cuidou não apenas dos filhos dele, mas também de dois filhos que não eram biologicamente dele, mas eram filhos dela. Foi ali que eu vi, pela primeira vez, um cuidado real.
Minha mãe só voltou a ter contato com os filhos que moravam em São Paulo quando eu fui para lá, depois do período no Rio de Janeiro. Fui eu quem trouxe esses irmãos para ela reencontrar. De tão distante que tudo tinha ficado, ela já nem lembrava mais como esses meninos eram.
É desse lugar que eu falo quando falo de rejeição. Não é teoria. É história vivida.
Fernando Kabral
7 de janeiro de 2026
9:58
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Professora Jacy,
Eu queria lhe explicar com calma uma coisa que, para muita gente, parece exagero quando a pessoa fala, mas é real: o sentimento de rejeição não nasce do nada. Ele pode começar muito cedo, antes mesmo da gente entender o mundo.
Na década de 60, o mundo girava de outra forma. Existia uma cultura muito dura com as mulheres e com as crianças. Muitas famílias viviam na pobreza extrema, sem apoio, sem orientação, sem saúde emocional, sem planejamento familiar. Muita gente tinha filhos em sequência, no automático, porque era assim que se vivia. E criança, naquela época, muitas vezes não era vista como sujeito, como pessoa com necessidade de cuidado e proteção. Era só “mais uma boca”, e pronto.
Quando uma criança nasce dentro de um ambiente de briga constante, abandono, desestrutura, medo e falta de afeto, ela cresce sentindo que não tem lugar. Às vezes nem precisa alguém dizer “eu não te quero”. A rejeição se forma pelo clima: silêncio, ausência, descuido, humilhação, falta de acolhimento, falta de segurança.
No meu caso, a história familiar começou com conflitos graves entre meus pais. Ainda no ventre, eu já estava dentro de uma casa sem paz, sem estrutura emocional. Depois disso, veio um período de abandono e separação. Eu cresci com marcas dessa desorganização familiar, e isso mexe com a cabeça e com o coração de qualquer criança.
E tem outro ponto importante: quando uma criança é criada por alguém que não tem preparo emocional, ou que vê a criança mais como obrigação, ou como alguém para “servir” dentro de casa, essa criança aprende cedo que o amor é condicionado. Ela aprende que precisa ser útil para merecer presença, comida, atenção, carinho. E isso é um tipo de rejeição também. Porque a criança entende que, se ela não for “boa” ou “útil”, ela não vale nada.
Então, professora, quando eu digo “me senti rejeitado”, eu não estou falando só de um momento específico. Eu estou falando de uma construção. É como uma ferida que vai sendo alimentada com o tempo: abandono, desatenção, falta de colo, falta de escuta, falta de segurança, falta de carinho. E depois, na vida adulta, a pessoa vira alguém que tenta compensar isso do jeito que dá: trabalhando demais, buscando aprovação, se doando, se cobrando, se sentindo sempre “a menos”, mesmo quando está fazendo o melhor.
Eu quis lhe explicar isso porque eu confio na senhora e eu respeito sua sensibilidade. Eu não estou pedindo pena, nem justificando nada. Eu só estou mostrando o contexto para a senhora entender como certas dores não começam na fase adulta. Elas vêm de muito antes, lá de trás.
Obrigado por me ouvir.
Fernando Kabral
7 de janeiro de 2026
9:35
Quem dera eu pudesse estar aí pra ti dar um abraço, e hj é um dia tão especial para mim,
Pois eu ter você como minha mulher, é uma honra!
E não basta só eu falar que te amo, mas não é só isso, você é o amor de todos nós.
Você é uma pessoa incrível, você é a pessoa mais forte que eu já pude conhecer, uma pessoa assim tão delicada e amorosa, sempre de coração bom e gentil.
Você me salvou de mim mesmo, me faz querer ser melhor a cada dia, eu já não sei mais viver sem você, rs eu te amo!
E eu, no ápice da insensatez
Pensei: queria ter sido como santa na gruta
Imaculada, sem erros, diminuta.
Mas sensata, disse: humana Deus me fez.
“Eu não prometo vencer todos os dias, mas prometo não trair quem estou me tornando, nem quando o mundo inteiro tentar me fazer desistir de mim.”
“Meu guarda-roupa não guarda roupas, guarda identidades que ficaram penduradas no tempo; hoje eu visto roupas novas, mas só as que não me puxam de volta para a dor que um dia me ensinou a sobreviver.”
A melhor pessoa para eu me inspirar: Eu! A partir daí saberei onde é o declínio e o pico mais alto que posso chegar.
*Tesouro e fé*
Para longe eu vou
Não há lugar, nem prisão
Livre por dentro
Ainda que ao redor prisão
Longe daqui
Esqueço que vim de lá
Onde pessoas más empreendem confusão
Haja paz e liberdade dentro de mim
Ninguém pode prender o livre pensador
Podem boicota-lo
Mas não encerra-lo em prisões
Homem de fé já é livre por definição
Aposenta a cidadania
Vive a cosmopolia
Desacultura teus costumes
Faz jus a aventura
Não violes
Não sejas pródigo
Não seja insólito
Mas viva com propósito
Aproveite, cresça
A terra está aí
Deus a fez te deleita
Conquista o ouro, a prata, a terra e a fama
Seja fiel a Deus
Não esbanja
Nem coma com os porcos na lama
Não troque seu Deus por um prato de lentilha
Atenta, caminho em sua luz
Não almeja o que seduz
Nem tudo que reluz é ouro
Mas guarda o teu tesouro, que é a tua fé
Dionísio C.S. Oliveira
Janeiro/2026
“O maior medo que eu tenho de uma discussão é que a primeira coisa a ir embora é a razão.”
— Dionísio Oliveira
A nenhum homem eu consinto
Que emita minha sentença
Só Deus pode me julgar
Só para Ele eu devo obediência
Quando eu digo que vou fazer algo e a pessoas não me chamam de louco, eu paro e repenso o que eu iria fazer.
"Ao estudar um pouco de astronomia, descobrir que eu sou ateu, porém de uma forma extremamente diferente: não consigo acreditar que Deus não exista. Cristo rege todo universo!"
A Ti, Senhor, consagro o meu caminhar,
Pois sem o Teu amor, onde eu poderia chegar?
Tua força, Pai, é o pão que alimenta e a luz que conduz.
Eis aqui o Teu servo, a serviço da luz,
Que não há de parar, nem descansar,
Até que o último coração Tua Palavra possa abraçar.
Eu não vou me perder na tua loucura,
nem me curvar diante do teu vazio vulgar.
Minha essência não se vende, não se dobra,
sou raiz que cresce em solo limpo,
sou chama que arde sem se apagar.
Habito um mundo que não conhece contaminação,
onde o silêncio é sagrado
e a verdade é meu único escudo.
Não me alcançam tuas sombras,
não me ferem tuas máscaras.
Eu caminho erguido,
com passos firmes sobre a terra da minha própria criação.
Sou dono da minha paz,
guardião da minha liberdade.
E nada — absolutamente nada
vai me arrastar para fora do meu horizonte.
Hum homem fraco, implora para sentar na mesa das aparências.
Hum homem forte não mendinga atenção.
Afinal o homem tem suas próprias decisões.
Eu lamento não ter o poder nas mãos para consolar a todos,
nem o poder de abraçar cada um.
Resta-me apenas fechar os olhos e, em minha mente,
fazer minha alma ajoelhar-se
e pedir ao Supremo que olhe por seus filhos.
