Familia tem de ser Careta- Lya Luft

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Agradecidos são aqueles que ainda têm algo a pedir.

Um homem barulhento tem sempre razão.

Os homens cuja natureza não tem nada de feminino não são humanos.

Há pessoas a quem se tem afeição porque agradam, e outras que só agradam porque se lhes tem afeição. Gosta-se mais das primeiras quando estão presentes e das outras na sua ausência.

Quase todos os médicos têm a sua doença preferida.

O historiador, que é o juiz do mundo, tem por primeira obrigação perder o respeito.

As boas opiniões não têm valor. Depende de quem as tem.

Naturalmente, os bébés não são humanos. São animais e têm uma cultura muito antiga e ramificada, como a dos gatos, dos peixes e até das cobras.

Os artistas têm o direito de serem modestos e o dever de serem vaidosos.

O Destino tem a mesma lei para todos: tira à sorte entre o humilde e o grande; a sua urna é vasta e contém todos os nomes.

A cultura histórica tem o objetivo de manter viva a consciência que a sociedade humana tem do próprio passado, ou melhor, do seu presente, ou melhor, de si mesma.

A morte tem um sabor a terra. E a angústia, um sabor a fel.

O amor: uma fonte que tem sede.

Quem busca a verdade do homem tem de se apoderar da sua dor.

Satisfação não é tanto conseguir o que você quer, como querer o que você tem.

Aquele que não tem um objetivo, raramente sente prazer em qualquer empreendimento.

Tem fotografias que não foram publicadas porque as câmeras não conseguiram captar. Foram registradas no coração, na memória e arrancam um riso largo. Elas serão flores da nossa velhice.

“Quer me amar? Me ama, mas me ama por completo, não pelas metades. Me ama pelo meu jeito, pelos meus defeitos, pelo meu sorriso torto, pelas minhas qualidades estranhas, pelas minhas loucas crises de ciúmes, pelo meu drama excessivo, pela minha carência incomum. Me ama arrumada, me ama desarrumada com o cabelo preso, com um pijama velho num domingo de manhã.”

O Cão Sem Plumas

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Ventos nos umbrais
janelas antigas,
modernos varais.