Falecimento de Criança
A criança que sentia demais
Ela aprendeu cedo
que o chão podia desaparecer.
Não por terremotos,
mas por silêncios que mudavam de humor,
por paredes que escutavam demais,
por relógios sempre prontos para correr
até um lugar branco, de luz dura.
Cresceu com antenas no peito.
Sentia antes de entender.
Pressentia antes de querer.
Enquanto outras brincavam de futuro,
ela brincava de equilíbrio:
não ocupar espaço demais,
não desejar alto,
não guardar segredos em gavetas frágeis.
Aprendeu a existir em modo de espera.
Como quem segura o fôlego
para não acordar o perigo.
Havia beleza, ainda assim.
Sempre há.
Ela colecionava migalhas de mundo:
um pedaço de céu visto da janela,
o cheiro de algo bom que não durava,
um riso emprestado no meio da tarde.
Com o tempo,
cresceu por fora
antes de crescer por dentro.
Levou para a vida
a inocência dos que nunca foram protegidos:
acreditou demais,
deu nomes às coisas antes de testá-las,
ofereceu o coração
como quem oferece água
num deserto que finge ser oásis.
Roubaram-lhe ideias
como quem colhe frutos de uma árvore
sem perguntar quem a plantou.
Confundiram sua entrega com fraqueza,
sua escuta com permissão.
E ela, ainda assim,
continuou aberta.
Porque quem aprende a sobreviver cedo
demora a aprender a fechar portas.
Mas há um ponto,
sempre há,
em que a criança cansada
olha para o adulto que se tornou
e diz, em silêncio:
agora é comigo.
Não há ruptura visível.
Não há vingança.
Há algo mais raro:
a construção lenta de um centro.
Ela começa a devolver pesos
que nunca foram seus.
A deixar no chão
o que carregou por amor mal compreendido.
Descobre que pode escolher
onde pousar o corpo,
a quem confiar a própria história,
o que merece permanecer intacto.
E então,
sem anúncio,
sem aplauso,
algo muda de lugar.
A vigilância vira atenção a si.
O medo aprende a descansar.
A criança não desaparece.
Ela finalmente encontra abrigo
no adulto que sobreviveu
sem perder a capacidade de sentir.
E isso,
isso é um tipo silencioso de vitória.
Coração de Peter Pan, na terra do nunca as brincadeiras não tem fim
Feliz 1 de Junho para a criança eterna que vive em mim
Ser criança é sonhar sem limites da imaginação, aproveitando cada momento de brincadeira e explorando o encanto da felicidade.
✍🏻O Segredo da Educação humanizada está em respeitar o tempo da criança. Ela tem que viver em seu próprio tempo, do contrário viverá sempre no tempo dos outros, e será um ser escravizado.
✍🏻😯💭😉💓🕉️
Ser como uma criança não é ser Infantil como a maioria pensa, é ter uma visão plena da vida, é ter alegria, é se dar uma chance de ter um novo começo todos os dias.
Quando criança, vivia buscando maneiras de brincar, jogar, me divertir. Não importava com quem estava, o importante era buscar o novo.
Quando adolescente, vivia buscando maneiras de me provar, maneiras novas de sentir as coisas. Era uma constante busca pelo novo e feliz.
Mas nessa época me dei conta das primeiras dores da minha infância, e as buscas começaram a ser para escapar disso.
Quando adulto. Busco interminavelmente maneiras de fugir do passado, busco efêmeras meios de fugir do presente. Mãos trêmulas, coração disparado, mente tormentada... Cada vez mais tenho medo do futuro, não por medo da morte, e sim medo de continuar sendo quem sou.
A roda está aberta
Quando eu era criança,
o mundo não explicava nada,
apenas acontecia.
As árvores falavam baixo,
os rios riam alto,
e o céu trocava de roupa
sem pedir opinião.
Eu acreditava.
E isso bastava.
Os antigos sabiam:
em algumas aldeias do Sahel,
as crianças nascem velhas
e vão ficando leves com o tempo.
Entre os hopis,
elas chegam trazendo histórias
que os adultos esqueceram de escutar.
Por isso brincam.
Para lembrar.
Quando virei jovem,
o sangue quis correr mais rápido que o destino.
Aprendi com Inanna
que descer aos infernos
também é iniciação.
Com Oxum,
que beleza é força em estado líquido.
Com os gregos bêbados de Dioniso,
que o corpo pensa
quando dança.
Errei muito.
E cada erro
abriu uma janela.
Os astrônomos da Babilônia diziam
que o céu é um livro em movimento.
Os povos do Pacífico navegavam
lendo ondas invisíveis.
Eu também aprendi a me orientar
pelo que não se vê.
Hoje caminho como anciã
mesmo rindo como menina.
Carrego o tempo dobrado nos bolsos.
Sei que o mundo nasce, quebra,
renasce torto
e continua.
As avós da floresta dizem
que a morte é só uma mudança de canto.
Os xamãs da neve
sabem que o silêncio também ensina.
Os griôs guardam universos inteiros
numa pausa bem colocada.
Dentro de mim,
todas as idades conversam.
A criança puxa minha mão
para correr atrás de borboletas.
A jovem acende fogueiras
onde disseram que era perigoso.
A velha sopra brasas
e chama isso de bênção.
E eu canto.
Mesmo sem afinação.
Eu danço.
Mesmo sem plateia.
Eu celebro.
Porque estar viva
é o maior segredo já contado.
Se você chegou até aqui,
não é por acaso.
Os antigos dizem
que quando um texto toca o peito,
é porque ele te reconheceu primeiro.
Então entra.
A roda está aberta.
Tem riso, tem tambor,
tem vida passando agora.
Se soubesse criança como passa o tempo.
Voltavas a brincar.
Continuava sorrir.
Aproveitava o viver.
A vida adulta é pura lamúria.
Tudo tem cheiro de saudade.
Queria ter ainda a confiança do abandono.
Quando me esquecia nas mãos de Deus.
Hoje que cresci e assumi o controle, não vivo.
Tudo é se der,
tudo é quem sabe.
CRIANÇA
Ser que necessita muito mais que proteção.
Carece de carinho, orientação.
Um lugar seguro para crescer.
Precisa de boa alimentação,
E toda tipo de educação.
Ser criança de novo, esquecer do relógio, esquecer do meu medo
por: Felipe Uzzires
papo reto?
não era pra ser tão pesado assim.
Com 20 poucos anos nas costas e um cansaço que não combina,
eu só queria voltar pra onde o mundo era pequeno.
ser criança de novo,
esquecer do relógio,
esquecer do meu medo.
Tem dia que a gente acorda e já tá devendo até coragem.
Sorriso forçado, passo arrastados,
e lá dentro, bem quietinho,
o moleque que fui quieto e cansado chama meu nome querendo.
ser criança de novo,
esquecer do relógio,
esquecer do meu medo.
Eu sinto falta de tropeçar sem medo de cair,
de errar e rir, de errar de novo e rir mais alto ainda.
Hoje qualquer erro parece um peso eterno,
como se a vida não perdoasse mais ninguém,
como se eu fosse invisível,
como se fosse impossível.
ser criança de novo,
esquecer do relógio,
esquecer do meu medo.
Talvez eu nunca volte de verdade, né?
Talvez crescer seja isso mesmo:
carregar as saudades, de desapegos, pessoas indo, e outros voltando,
Mas ainda assim eu queria.
ser criança de novo,
esquecer do relógio,
esquecer do meu medo.
No quilombo, a vida nasce enraizada na ancestralidade.
Pertencer é direito, e toda criança nasce realeza.
Desde criança eu carregava um mapa
que ninguém via
uma casa aberta no meio do mundo,
gente chegando cansada
e saindo com um pouco mais de vida.
Enquanto os outros sonhavam viagens,
eu sonhava abrigo.
Sonhava mãos dadas,
cadeiras puxadas pra perto,
um lugar onde ninguém fosse peso.
O tempo passou
e disseram que crescer
era esquecer essas ideias grandes.
Mas meu peito nunca aprendeu a ser pequeno.
E então a vida colocou pessoas no caminho
que acenderam o desenho antigo.
Não como salvação,
mas como espelho:
“olha, isso ainda mora em você.”
Conhecer alguém
não criou o sonho
só deu nome à coragem
de tirá-lo da gaveta.
Meu instituto não é prédio,
é promessa.
É a criança que fui
estendendo a mão pra adulta que sou
e dizendo:
“a gente ainda pode.”
Quero construir um lugar
onde a dor não seja vergonha,
onde intensidade seja força,
onde gente quebrada
descubra que ainda é casa.
Se um dia isso existir
não será milagre.
Será soma:
de quedas,
de encontros,
de amor que não coube em mim
e precisou virar mundo.
Uma criança não desiste por causa de alguma situação limitante, a contorna a qualquer preço sem reclamar.
Paulo, como deverá ser a vida no céu?
É impossível imaginar.
Assim como uma criança no ventre não consegue conceber o mundo exterior, nós também somos incapazes disso.
Paulo Sérgio.
A toda criança deveria ser dito e ensinado:
"Se Você trair alguém, viverá sem paz pelo resto de tua vida."
Isso pouparia o mundo de um monte de desgraças e erros gravíssimos.
Antes mesmo de começar à escrever,
Aprendi à temer.
Quando não passava de uma criança,
Cheia de esperança,
Que brincava de boneca, e sonhava em ser princesa.
Aprendi cedo demais,
Que de fazer maldade, qualquer um é capaz.
Que não precisa ser estranho, pra nos roubar a infância, e impedir de ser criança.
Cresci com o peito doendo,
Tentando curar uma ferida
Que eu nem sabia de onde vinha.
Vivia com uma culpa que não era minha, E um peso tão grande que minhas mãos tão pequenas não sabiam como carregar.
Não conseguia lutar, e ninguém eu tinha pra fazer isso por mim.
Todo mundo me dizia:
"Deixa isso passar!"
E assim, deixei.
Mas o que foi embora, não foi a dor.
Fui eu mesma quem ficou pra trás.
Ninguém ensina
Como crescer direito
Depois de ter a sina
De ser roubada a inocência.
Ninguém me contou
Como se vivia
Depois de ter sido objeto
Antes de sequer poder lembrar
Que eu existia.
Me disseram que o tempo cura,
Mas esquecerem de dizer que o tempo também cobra.
E que se uma ferida não for cuidada, O tempo cicatriza torto, e a dor nunca vai embora.
Hoje, já cresci.
Mas não cresci inteira.
E sim, com um pedaço de mim faltando.
E por isso, carrego comigo um grito antigo.
Que não foi ouvido, mas sim abafado..
E isso antes de eu sequer poder entender o que, e por que tinha acontecido.
E eu sei que não é justo comigo
Carregar sozinha
Algo que nunca foi culpa minha.
Mas ainda sim, fico em silêncio.
E quando a dor chega com força,
Eu pego meu caderno e escrevo.
Por que essa dor
Não vai embora, só ameniza.
Por que não tem como não doer,
Sendo que eu nunca vou saber
Quem eu poderia ter sido.
Se eu não tivesse temido,
Antes de ao menos ter a chance de aprender escrever.
-Victória Licodiedoff Lemos
Despertar
Abra os olhos vagarosamente,
veja a vida te convidando a viver.
A vida é criança perfeita,
que renasce a cada amanhecer.
O ontem levou consigo as oportunidades perdidas,
não se prenda a ele,
veja novas oportunidades,
sendo oferecida.
Se perdestes o tempo de um sonho que a circunstância lhe roubou,
a vida é mãe carinhosa ,
outro sonho lhe ofertou.
A vida é um presente,
que só se vive no presente,
não se sinta descontente,
com o que o ontem lhe roubou.
Autor. Cícero Marcos
Serei Como Criança
Enquanto eu estava andando na rua, uma criança sorriu para mim.
Nesse dia eu estava cabisbaixo e, depois que eu vi aquela criança
com o sorriso verdadeiro que no seu rosto estava estampado,
eu, naquele exato momento, percebi que minha tristeza havia evaporado.
E nesse dia eu decidi ser sempre uma criança,
ser sincero e verdadeiro em cada ato.
Minha missão agora é espalhar amor e alegria,
e como uma criança serei luz até onde as trevas dominam.
Serei feliz até nos momentos ruins, como as crianças da periferia,
que fazem com que a zona de guerra seja o lugar onde se empina pipa.
Vamos pegar um balde de tinta
e, nesse chão onde só se jorra sangue,
vamos desenhar uma amarelinha.
Serei criança, porque elas são anjos
que são blindados da maldade do mundo cruel.
E nessa brincadeira de amarelinha peço a Deus que me espere,
pois falta um pulo para que eu volte para o céu.
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